Série Shows Históricos: O dia em que Neil Young salvou o Pearl Jam

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O ano era 1995, o Pearl Jam seguia com a turnê do disco “Vitalogy” e o próximo show era em San Francisco CA, no dia 24/06/1995.

O Pearl Jam iniciou o setlist com “Last Exit”, mas algo visivelmente não estava bem. Eddie errava o tempo da música com grande frequência e não soltava as notas mais agudas como naturalmente fazia. Eddie tinha um problema.

Spin the black circle foi a segunda música (assim como no disco ‘Vitalogy’) então o que todos da plateia já suspeitavam tornou-se visível durante a música. Uma sofrível sequência de Go, Animal, Tremor Christ, Corduroy e Not for You foi executada com um Eddie terrivelmente debilitado até que ao final de Not for You ele largou sua guitarra e foi ao microfone dizer que não estava bem. Era algo em seu estômago que estava o derrubando, Eddie disse que “as últimas 24 horas foram as piores de minha vida”, se referindo ao seu estado de saúde. A plateia não recebeu bem a notícia, com vaias e murmúrios sobre Eddie usar drogas (o que deixou Jeff meio puto).

“Por sorte aqui no backstage está o Neil Young, e ele vai tocar algumas músicas pra vocês”.
Então surgiu Neil Young com sua lendária e inseparável guitarra Old Black. Uma pequena reunião no palco para definir o Set e pronto, os primeiros acordes de “Big Green Country” estavam sendo tocados, para uma plateia extremamente dividida entre vaias e aplausos.

“Eu estava na cidade, esperava aparecer no show e tocar uma ou duas músicas. Jamais pensei em tocar o show inteiro no lugar de Eddie.” (Neil Young, Livro Pearl Jam Twenty)

O show aconteceu entre erros e acertos, entre músicas do disco Mirrorball (gravado em parceria com o Pearl Jam) e músicas que jamais haviam sido tocadas por eles com Neil.

“Pra você ver o tamanho da gravidade daquilo que estava acontecendo, tivemos que tocar Rockin in the Free World mais de uma vez pra uma plateia de 50 mil pessoas!” (Jack Irons, Livro Pearl Jam Twenty)

“Aquele era para ter sido um dia glorioso. Mas assim que percebi o Eddie dizer que teria que sair do show eu pensei que estava acabado, pensei que tudo poderia virar algo como o concerto do Guns ‘n’ Roses em Donington onde a plateia destruiu tudo que encontrou pela frente. Mas aí como um milagre Neil Young veio e nos salvou. Eu nem sabia que o Neil estava com o Eddie antes do show. Ele já estava cuidando do Eddie antes mesmo de subirmos no palco. Neil mais uma vez salvou nossa banda.” (Kelly Curtis, Manager do Pearl Jam na época)

No encore Jeff veio ao microfone e avisou que Eddie não conseguiria voltar. Entre vaias e aplausos Neil Young empunhou seu violão olhou para Jeff e disse:

“Vamos cansar eles.”

Um acorde de The Needle And Damage Done solo de Neil e a vaia anterior se tornou um grande grito de alegria por parte da plateia. Aos poucos Neil virava o jogo.

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O show seguiu até seu final, com Neil Young ‘ganhando’ o resto da plateia que estava vaiando ele no início. Neil se mostrou um artista extremamente carismático para um público que não era seu, era mais jovem e estava ali para ver o Bad Religion (banda de abertura) e principalmente o Pearl Jam.

Red Mosquito foi escrita sobre os eventos desse dia memorável. Em 2006 no show realizado também em San Francisco Eddie comentou antes de tocar essa música;

“Essa próxima música tem uma conexão com São Francisco porque foi escrita em um quarto de hotel aqui no meio de eu ter um dia realmente, realmente mau.”

Eddie escreveu Red Mosquito enquanto estava no Hospital de San Francisco pensando sobre o que havia acontecido horas antes no show que ficou conhecido como “O dia em que Neil Young salvou o Pearl Jam”.

Neil Young anos mais tarde disse que aquele foi um show especial para ele. Ele jamais havia enfrentado um público hostil e uma situação daquelas.

“Foi uma grande experiência, entrar vaiado e sair aplaudido. Mas ainda acho que teria sido legal ter levado Eddie numa maca e colocado o microfone do lado da cama para ele cantar enquanto a banda tocava. Teria sido uma bela obra de arte.”

06/24/95 – Golden Gate Park: Polo Fields: San Francisco, CA [140m]

attendance: 53,440

support acts: Crash and Brittany and Bad Religion

set: Last Exit, Spin the Black Circle, Go, Animal, Tremor Christ, Corduroy, Not for You

“NeilJam” set: Big Green Country, Act of Love, Throw Your Hatred Down, Powderfinger, Truth Be Known, Rockin’ in the Free World, The Needle and the Damage Done, Hey Hey My My, I’m the Ocean, Down By the River, Downtown, Cortez the Killer

enc: Peace and Love, Rockin’ in the Free World

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SHOW COMPLETO:

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Shows Solo do Eddie na Itália? (E Europa?)

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De acordo com a página Rockol, o vocalista do Pearl Jam, Eddie Vedder, poderá se apresentar na Itália em Junho. Segundo a página, um show já estaria praticamente certo: dia 24 de Junho na cidade berço do Renascimento, Florença. Além disso, a cidade de Taormina e Milão poderiam receber o artista.

Lembrando que em 2016 os rumores para o Pearl Jam tocar na Europa estavam fortíssimos, mas, segundo várias fontes, tiveram de ser cancelados dias antes do anúncio oficial. Essas data do Eddie na Itália, e possivelmente (provavelmente, na verdade) uma turnê solo do Eddie pela Europa, seriam um meio de compensar isso.

Se isso se confirmar, teremos, portanto, mais datas pela Europa.

Obrigado PearlJamOnline por noticiar esse rumor.

Série Shows Históricos: Roskilde, O dia que não teve fim

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30/06/2000 está encravado na memória e no coração de cada fã do Pearl Jam como um dia triste. Nesse dia, 9 fãs morreram pisoteados durante uma apresentação do Pearl Jam no Roskilde Festival, na Dinamarca.

Muito já se falou sobre esse show, mas existem fatos que com o tempo perderam força, e queremos relembrar esse show que mudou todo o curso da banda.

A grande turnê Binaural estava à todo pique até chegar ao fatídico dia 30/06/2000.

Em 2000 o Pearl Jam fez 73 shows, e estava focado em muitos projetos para uma nova fase da banda. A ideia de tornar o Ten Club algo grande já vinha dos anos 90, mas com o Binaural essa ideia começou a se tornar realidade, a começar pelo fato do lançamento dos singles serem acessados diretamente no site, assim o fã poderia fazer o Download do arquivo e escutar em casa. No início do novo milênio, ainda era um tabu esse tipo de procedimento. Logo após o sucesso desse lançamento virtual, o Pearl Jam anunciou que iria colocar à venda todos os Bootlegs oficiais dos shows, com a qualidade obtida na mesa de som. Assim, era decretada a extinção dos Bootlegs piratas e da extorsão que era praticada por quem os vendia. No site do Pearl Jam, um Bootleg seria comprado por poucos dólares, e o fã teria um áudio de maior qualidade.

Esse era o Pearl Jam do novo milênio, uma banda que pensava no seu fã acima de tudo. Ironia do destino ou não, no dia 30/06/2000, uma banda que sempre prezara por seus fãs iria sofrer o duro golpe ao ver, na sua frente, 9 deles morrerem de maneira trágica.

30/06/2000

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Durante o a apresentação do Pearl Jam, na música “Daugther” (12ª do show), o Pearl Jam interrompeu o show ao ser avisado sobre um problema próximo às primeiras fileiras.

Eddie foi ao microfone e pediu para todos darem 3 passos para trás, para que os paramédicos pudessem entrar e realizar o resgate. Poucos minutos após a entrada do resgate já se constatara que haviam ocorrido óbitos. A tragédia estava consumada.

Os primeiros dias de investigação

Logo no anúncio do ocorrido, a apreensão por todas as partes foi enorme.
Muitos rumores surgiam a cada dia, e alguns davam conta de que o Pearl Jam iria se separar.

Outros diziam que a banda seria incriminada por ter incitado o público a agir da maneira que agiu.
O fato é que a única notícia oficial por parte da banda era de que o restante da turnê Européia havia sido cancelado, causando ainda mais rumores.

Este foi o comunicado oficial;

“Tudo isto não faz sentido, é muito doloroso. Nossa vida nunca mais será a mesma, mas sabemos que o que sentimos não é nada perto da dor que os familiares e amigos dos envolvidos no incidente estão sentido neste momento… foi uma tragédia”.

Solidariedade

Os dias subsequentes à tragédia foram de inúmeros gestos de solidariedade.
Os primeiros a abraçarem a banda foram os fãs. Choviam cartas no endereço da sede do Ten Clube em Seattle de fãs dizendo estar apoiando a banda. Foi criado, inclusive, um abaixo assinado de solidariedade para a banda. Cada e-mail enviado para o extinto endereço covertmo@aol.com, com nome, cidade e país, contava como uma assinatura.

Famosos também saíram em defesa do Pearl Jam.
Neil Young, Bono Vox, e mais notoriamente Pete Townshend vieram a público prestar seu apoio ao Pearl Jam.

Culpados

A primeira informação oficial por parte da polícia dinamarquesa foi a de que o Pearl Jam deveria ser considerado culpado pela forma com que conduziu seu show, incitando a violência do público que acarretou no descontrole dos presentes.

De acordo com as autoridades dinamarquesas, um estudo de caso havia sido feito e se constatou que o Pearl Jam “incita seus fãs a tais atos”.

Imediatamente, o gerente da banda, Kelly Curtis, afirmou que, embora seus shows sejam energéticos, o Pearl Jam jamais incitaria seus fãs a cometeram qualquer ato de violência.

Esta informação foi divulgada cerca de 20 dias após a tragédia. Até esta data, nenhum membro da banda havia dado qualquer declaração oficial.

Os primeiros novos passos

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Passados exatamente 33 dias da tragédia, o Pearl Jam voltou a subir ao palco. No dia 3/08/2000 a banda se apresentou em Virginia Beach para uma nova leva de shows da turnê Binaural.

Enquanto as autoridades não davam o veredito final sobre o ocorrido, Eddie, Jeff, Mike, Stone e Matt seguiram seus compromissos pelos Estados Unidos.

Sempre que perguntados sobre o ocorrido, eles diziam estar aguardando o julgamento.

O veredito

O relatório final da polícia concluiu que as nove pessoas que morreram, e quarenta e três que ficaram machucadas durante a apresentação do PEARL JAM no Festival de Roskilde, em 30/06/2000, foram vítimas do baixo volume do som da banda, pois na ânsia de ouvir melhor o show, cerca de 50.000 pessoas se precipitaram em direção ao palco; e isso, aliado à demora dos organizadores em interromper a apresentação para pôr “ordem na casa”, ocasionou a tragédia.

Este relatório veio a público no dia 27/12/2000, quase 6 meses após o ocorrido.

Reação da banda

Este foi o relato oficial da banda, divulgado em meio à espera do julgamento do acidente de Roskilde.

“Foi importante para nós aguardar e permitir a investigação para conferir os fatos em potencial que poderiam ter contribuído com a tragédia no Festival de Roskilde durante o show do dia 30 de junho. Lendo o relatório que foi liberado semana passada pela polícia dinamarquesa, gostaríamos de fazer alguns comentários:

Primeiro, como já dissemos anteriormente, não há palavras para expressar nossa angústia ante os pais e entes queridos destas preciosas vidas que foram perdidas durante a nossa performance em Roskilde. Nós devemos isso para todos que sofreram o impacto, todos aqueles que perdemos, todos aqueles que os amavam, todos aqueles que se machucaram e todos os fãs que costumam assistir nossos shows, para identificar qualquer possível fator que pode ter contribuído para essa tragédia.

Este é o nosso sentimento em relação ao que aconteceu no Festival Roskilde, que não pode ser descrito como “acidente maluco” ou “má sorte” – como alguns disseram. Quando algo desastroso como este fato acontece, quando muitas vidas são perdidas, é essencial que todos os aspectos sejam investigados completamente e sob todos os ângulos. Até agora, nós não sentimos que isso tem sido feito.

Nós faremos tudo que for possível para ter certeza que durante esta nova fase de investigação, todos os fatores possíveis que podem ter contribuído com as mortes e ferimentos no Festival sejam revelados e escrutinados. Se nós tomarmos conhecimento de algum fator que possa contribuir e que não tenha sido levado em consideração, nós o apontaremos e tomaremos providências para que o que aconteceu em Roskilde não aconteça novamente. E esperamos que promotores, produtores, pessoas da lei, profissionais da medicina e outros artistas façam o mesmo. Sempre existem coisas que podem ser aprendidas e, felizmente, que podem ser melhoradas para prevenir futuras tragédias desta natureza.

Especificamente, destacamos alguns fatos que estamos a par, e gostaríamos de ver uma investigação mais completa, incluindo:

  1. Segurança do Festival

É do nosso conhecimento que pelo menos 15 minutos se passaram entre a hora que um membro da segurança do festival identificou um problema latente e a hora que fomos informados. Nós paramos o show imediatamente após sermos informados que havia um problema, embora tivéssemos sido avisados para esperarmos até que a natureza do problema fosse identificada. É da nossa opinião que se tivéssemos sido avisados sobre este grave problema assim que a segurança do Festival o identificou, nós poderíamos ter parado o show mais cedo e vidas poderiam ter sido salvas.

  1. Sobre o atendimento de emergência

E, potencialmente, uma falta de adequados e/ou peritos qualificados, equipamentos médicos de emergência e ambulâncias para atender às emergências rapidamente e adequadamente. Nós temos muitas perguntas a fazer para os organizadores do festival e responsabilidades do posto médico, como: Quantos postos de saúde foram montados no local? Qual era o tamanho da tenda de atendimento? Havia um caminho visível para o posto médico entre a multidão? Quantas ambulâncias estavam no local para um evento desde tamanho e magnitude? Quais eram os tipos de equipamentos médicos estavam no local e quais eram as quantidades?

  1. Visibilidade do público que estava próximo do palco e da grade de proteção que ficou comprometida

Assim, tornou difícil, do palco, identificar os problemas latentes na multidão.

  1. Potencialmente, o consumo de álcool, ou a quantidade de álcool servido.

Foi noticiado que a polícia dinamarquesa nos acusou como “moralmente responsáveis” pelas tragédias ocorridas em Roskilde. Nós sentimos que fomos “moralmente responsáveis” por trazer a verdade com responsabilidade em relação ao que aconteceu aquela noite. A recente reabertura das investigações irá com certeza mostrar essas verdades.”

O dia que não teve fim, opinião

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O dia da tragédia sempre será lembrado. Mas temos de concordar que se existiu culpa de alguém, ela passou longe de ser da banda.

O show tinha uma expectativa de receber 100 mil pessoas. Nunca houve uma divulgação oficial, mas informações não oficiais dão conta de que cerca de 30 mil ingressos extras foram produzidos para o dia do Pearl Jam.

Ao decorrer dos anos a banda prestou todo o tipo de assistência às famílias dos mortos em Roskilde. Alguns familiares, inclusive, se tornaram amigos da banda.

Nada que a banda fez, ou faça trará os fãs de volta. Mas a atitude coesa e humana adotada ao longo de todo o processo investigatório e pós-trágico foi de uma grandeza que só poderíamos esperar do Pearl Jam.
Tudo que foi dito, sobre a banda ser culpada pelo ocorrido foi de maneira a não ferir a imagem primeiramente do governo Dinamarquês (polícia) e, segundo, o prestígio do Festival, que ocorre anualmente desde 1971 e é considerado um dos maiores da história.

Devido ao fato de ser impossível incriminar a banda, a polícia teve de ir aos fatos e analisar friamente, chegando à conclusão que a banda não teve culpa nenhuma. A culpa esteve com a organização do evento, que desde o inicio do festival vendeu ingressos a mais do que a capacidade de local e segurança ofereciam, que propôs um som péssimo (lembrando que em festivais, a organização sonora é por conta dos organizadores do festival) que fez com que os fãs de trás tentassem chegar mais perto do palco, e que demorou a entender que existia uma tragédia ocorrendo em frente aos seus olhos.

O show de Roskilde é sem sombra de dúvidas o show mais triste da história do Pearl Jam. Mas ao mesmo tempo é um show que deve ser lembrado sempre, pois “perdemos nove amigos que jamais iremos conhecer” (Love Boat Captain).

Demorou seis anos para o Pearl Jam voltar a encarar um grande festival. Em 27/08/2006 o Pearl Jam se apresentou no Reading Festival, e no próximo capítulo de Shows Históricos a gente conta como foi.

Feliz Aniversário, Yield!

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Hoje é aniversário do Yield! Um dos melhores álbuns do Pearl Jam!!

Abaixo, algumas curiosidades dessa obra prima:

  • O Pearl Jam gravou Yield no Studio Litho e X em Seattle, Washington, ao longo do ano de 1997. Os bastidores da gravação foram lançados em VHS e posteriormente em DVD com o título “Single Video Theory”.
  • Foi um álbum mais colaborativo, diferente dos dois últimos antecessores onde Eddie Vedder era praticamente o compositor exclusivo, salvo exceções…
  • Depois de muitos anos, a banda lançou novamente um videoclipe. Do the Evolution foi a escolhida e é tido como um dos melhores clipes dos anos 90.
  • Yield foi lançado exatamente na época em que Soudgarden, Alice in Chains e (anteriormente) Nirvana haviam acabado. Isso fez com que a expectativa quanto ao novo álbum fosse maior do que os anteriores.
  • O baterista que ajudou a compor e participou das gravações foi Jack Irons. Porém, logo no início da turnê do disco, ele saiu da banda, dando lugar a Matt Cameron. Matt está até hoje na banda.
  • Após a música All Those Yesterdays existe uma faixa escondida chamada “Hummus”.
  • Brain of J foi composta em grande parte por Mike McCready para entrar no disco anterior, o No Code. Porém, ela acabou de fora e foi lançada no Yield.
  • Pilate é sim sobre Pôncio Pilatus, o governante romano que crucificou Jesus. Stone Gossard já admitiu que essa foi sua música favorita do Pearl Jam por muitos anos.

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  • Jeff Ament disse que se arrependeu de ter caprichado tanto nos arranjos. Ele disse que foi o disco mais difícil de gravar pela complexidade das músicas. Também disse que nos shows ele raramente consegue executar o seu baixo da maneira que foi gravado.
  • (https://www.youtube.com/watch?v=ZZau3z9QNe8) Video do comercial divulgado na Tv americana para o lançamento do disco.
  • O álbum foi lançado em 3 formatos; Vinil, Fita k7 e CD.
  • Given to Fly e Wishlist foram os singles do Yield.
  • A turnê do disco teve 62 apresentações (49 nos EUA, 13 na Oceania).
  • Matt Cameron que substituiu o Jack Irons teve que aprender em duas semana cerca de 80 músicas do Pearl Jam!
  • Foi nessa turnê que nasceu a lendária campanha por “Breath”. O Pearl Jam havia tocado “Breath” pela última vez em 1994, então os fãs começaram a levar cartazes pedindo a música em toda a turnê. O pedido foi atendido em um dos últimos shows em pleno Madison Square Garden e desde então a campanha “Breath” virou lenda entre os fãs!

Sleight of Hand: a música em preto e branco

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Certa vez em algum lugar eu li uma frase muito impactante na minha vida, dita por Eddie Vedder. Não sei exatamente as palavras que ele usou, mas ele disse algo como “a interpretação de uma música depende do estado de espírito do ouvinte”. Talvez meu estado de espirito atual tenha me feito reencontrar Sleight of Hand.
Desde que voltei a pensar nessa música não tenho feito nada a não ser escutá-la o máximo possível, a ponto de estar agora escrevendo sobre ela.

Sleight of Hand é uma música do nosso insubstituível Binaural, de 2000. Só este fato já faz dela algo diferente e enigmática, como todo o disco.

Sleight of Hand é uma música fria. É notável a capacidade do Pearl Jam em reverter um cenário de show de Rock n Roll para algo tão solitário e intimo quando Sleight é tocada em seus shows.

A temática da música é sobre alguém que está preso em sua rotina e esqueceu de seus sonhos. Como em um truque de mágica, as coisas vão acontecendo sem ele perceber. A vida vai passando e o filme repetido acontecendo, e em Sleight of Hand o autor quase que ‘vomita’ sua confissão sobre tudo. Se um dia ele teve planos maiores, sonhos, tudo isso se perdeu em sua rotina, no cotidiano. Algumas fagulhas de esperança até aparecem durante Sleight mas prontamente são substituídas novamente pelas horas vazias de uma rotina que não faz sentido ao autor.

Toda essa confissão sombria é moldada por dedilhados profundos e melancólicos. A banda se completa com o cenário que fica escuro; afinal, esta é uma música em preto e branco. A bateria é cadenciada, a voz do Eddie triste. Mike vai fraseando os dedilhados de Stone, ao passo que o baixo de Jeff parece apenas acompanhar tudo isso isoladamente. No final de tudo um solo com muito delay e distorção para provar que, inevitavelmente, a poesia mais bela e tocante sempre é triste.

Não há redenção em Sleight of Hand. No fundo, sempre que eu presto atenção em tudo que engloba essa música (vocal, letra, melodia, harmonia e interpretação vocal), eu sinto, no fim, muita pena do personagem.

Como na vida real, Sleight exclama com força que a “rotina é o tema”.

Sleight é daqueles sons que, dependendo do teu estado de espírito, te derruba fácil, pois ela vai direto no coração. É a música mais pontual do disco nesse quesito.

É uma música poderosa, e não funciona em todas as ocasiões. Talvez por isso seja uma das menos tocadas do Binaural ao longo do tempo. Nos últimos 10 anos, por exemplo, ela foi tocada apenas 13 vezes.

O clima tem que ser propício para um som tão belo e triste.

O Pearl Jam tem a insana mania de pintar quadros tristes em preto e branco em forma de música. Sleight talvez seja o quadro mais escuro dentre todos.

Eddie Vedder participa da despedida de Obama

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Ontem, 10 de janeiro, Barack Obama teve um de seus últimos atos como presidente dos Estados Unidos. Em uma despedida em Chicago, Obama reuniu centenas de convidados, entre eles Eddie Vedder. Como muitos sabem, Eddie apoia Obama desde as eleições de 2008 e já participou de vários eventos para arrecadar fundos para campanhas Democratas à presidência. Há pouco tempo, inclusive, Obama visitou Eddie e sua família enquanto ambos estavam de férias no Hawaii. Eddie participou da despedida de Obama tocando Rockin’ in The Free World, Rise, Something Inside So Strong, e People Have the Power, a última acompanhado de um coral de 24 crianças do Voice of Chicago.

Videos da apresentação podem ser conferidos no site do Consequence of Sound. 

Future Days: Eddie Vedder e a Corrente do Bem

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Essa é uma história de altruísmo, a retribuição de um favor feito há mais de uma década. E em tempos de natal é sempre bom lermos algo tão legal assim, ainda mais se tratando do Eddie.

A história é a seguinte: há mais de anos atrás o Eddie e mais 5 amigos estavam fazendo paddling em uma canoa entre Maui e Molokai, no Havaí, em um canal chamado “Pailolo Channel”. As condições do tempo pioraram e um forte vento virou a pequena embarcação. Depois de muito esforço eles conseguiram virar a canoa de volta à sua posição, mas apenas metade das pessoas conseguiu subir de volta. As outras três – Eddie e mais duas mulheres – ficaram à deriva e se distanciaram muito do grupo.

Com apenas os remos nas mãos, eles começaram a pedir ajuda; balançavam os remos para o alto e gritavam. Não muito longe dali, duas pessoas – pai e filha – estavam passeando de barco. A filha, Ashley Baxter, ouviu vozes e avisou o seu pai, Keith Baxter. Ele desligou o motor do barco e ouviu pedidos de ajuda. O barco de Keith foi na direção do chamado e avistou remos sendo levantados para o alto. Sem hesitar, aproximou a embarcação e resgatou as três pessoas, entre elas o vocalista do Pearl Jam.

O Eddie contou essa história no show que a banda fez em Seattle, em 2013. E antes que eu continue, coloco aqui o vídeo desse momento. O Eddie dedica ‘Future Days’ aos dois e diz, pouco antes de começar a tocar: “[…] se não fosse por eles, eu não sei se teria esses ‘dias futuros'”.

Bom, isso muito gente já sabe, já que o Eddie contou a história em um show. Mas a segunda parte da história é tão interessante quanto a primeira. O homem que salvou o Eddie, Keith Baxter, sofreu um acidente: uma âncora enferrujada quase decepou a sua perna e uma perigosa infecção ameaçava a sua vida. Devido aos altos custos de tratamento, foi iniciado um “funding online” – nele, as pessoas doam dinheiro para uma causa; no caso, arrecadar dinheiro para o tratamento do Keith.

Pois bem, foram arrecadados mais de 70 mil dólares! E a história fica ainda melhor quando o valor arrecadado passa para 140 mil de uma hora para a outra! O motivo? Os cinco membros do Pearl Jam haviam prometido entre si dobrar a quantia doada! Na foto abaixo, o momento em que as quantias foram enviadas:

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O Eddie ainda enviou um bilhete para a família Baxter:

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Para finalizar a história, colocamos aqui o vídeo em que a Ashley Baxter conta a história e, mais para o final do vídeo, seu pai, Keith, se junta e agradece a todos que doaram. Que todos tenham um ótimo final de ano! E vamos todos ajudar uns aos outros a fazer do nosso mundo um lugar melhor!

 

Link original em inglês: http://www.theinertia.com/surf/eddie-vedder-was-rescued-in-hawaii-he-just-gave-back-big-time-to-the-family-that-saved-him/