Opinião da PJ2Fly

Com relação à crítica que postamos ontem (“Eles se transformaram em uma banda horrivelmente previsível”), e que teve muito debate aqui no blog, a PJ2FLY resolveu emitir a sua opinião sobre o assunto:

“Lembro como se fosse hoje um dia de maio de 2006 quando minha versão do Abacate chegou. Era um dia chuvoso e lembro que eu havia prometido que não ouviria os mp3 que haviam vazado na época antes do lançamento. Queria ouvir vendo as artes, cada letra, sentindo da melhor forma que eu conseguisse aquele álbum e imaginando as inspirações por trás dele. Inspirações evidentes ou não. Logo de inicio eu estranhei, pois senti naquele disco algo diferente. Senti algo que eu não esperava do Pearl Jam, principalmente ao ouvir músicas como Severed Hand, Marker in The Sand, Come Back e Inside Job (aliás, pra mim Inside Job é a melhor música do Pearl Jam desde 2000). E eu gostei por que foi uma surpresa ouvir músicas tão expressivas quanto a vários temas, descrentes com base na religião, na política e em questões sociais. Algo totalmente diferente do que havia sido o Riot Act três anos e meio antes em questão de melodia e variação nos temas. Três anos depois, quando ouvi o Backspacer, não senti a mesma coisa. Apesar de ser um álbum com músicas como Unthought Known, Speed of Sound e Force of Nature, não senti uma identidade nele. Não senti um álbum ‘amarrado e redondinho’, principalmente por músicas como The Fixer e The End. Para mim, ainda havia mais a lapidar. Mas acabei compreendendo o momento daquele disco de aspecto mais ‘paz e amor, natureza’, algo mais largado e menos centrado em questões filosóficas e políticas. Era o Pearl Jam despreocupado, fazendo música sem pressão.

Desde 2006 com o Abacate, leio comentários acerca de como o Pearl Jam não fará nada tão bom, de como o Pearl Jam está acabado e de como o Pearl Jam havia perdido a inspiração. Se as pessoas achassem isso de fato, não ficariam aguardando a contagem regressiva para ouvir uma música nova ou saber sobre o disco novo. Com relação ao Backspacer até pode ser, mas quem disse isso não deve ter ouvido o Abacate direito ou compreendido o que as músicas expressam. Quatro anos depois do Backspacer e prestes a lançar o Lightning Bolt me deparo com essas críticas após terem lançado Mind Your Manners e, de novo, imagino que as pessoas que comparam esta música com World Wide Suicide, Olé e The Fixer, não devem ter compreendido a canção. Até mesmo compará-la com Spin the Black Circle achei equivocado como alguns fizeram. São épocas diferentes, momentos distintos e preocupações totalmente diferentes daquelas do começo da banda.

Aliás, começo da banda relacionado atualmente com o que muitos criticam sobre a mudança ocorrida na forma de agir, fazendo tanto marketing, com clipes e vídeos promocionais sobre os lançamentos (o que é de se esperar em uma época em que os mp3 acabaram com a venda tradicional dos discos). Quando criticam a falta de experimentalismo em um disco no qual ouviram somente uma música esses críticos tem em mente o No Code. Entretanto, se sai algo semelhante ao No Code o Pearl Jam não tem inspiração. Recentemente, quando tocaram Of The Earth, achei ela incrível. Algo diferente. Senti o mesmo do que senti na época do Abacate. Uma música com letra simples, não tão profunda, mas com um arranjo interessante e uma mudança no ritmo bem marcante, com metade da música dedicada a um solo do Mike (o que reclamavam que faltou no Backspacer). Mas se falam que ela estará no Lightning Bolt, ninguém gosta. Como, então, sair disso? A menos que seja um disco no qual usem guitarra espanhola, batuques e pandeiros no disco todo, a única forma é se atualizar, como as músicas da chamada ‘new wave’.

E isso aconteceu com várias bandas em todas as épocas da história do rock. Muitos criticam o álbum The Final Cut de 1984 do Pink Floyd por não o considerarem tão progressivo, sem musicas longas e arranjos complexos, letras instigantes e pensantes que caracterizaram a banda na década de 70. Isso ocorre justamente por compararem esse disco com o que o Pink Floyd fez uma década antes. A comparação, neste caso, não pode ser feita com relação a própria banda, mas sim com o momento. E isso não significa falta de criatividade. Significa, no caso do Pearl Jam, o que muitos não entendem: que o Pearl Jam não parou no tempo. O Pearl Jam seguiu adiante. E isso se mostra não só musicalmente, mas comercialmente numa época em que isto é imprescindível.

Diante desse cenário eu imagino uma saída: aprender a compreender essas mudanças e esses novos estilos e captar essa mensagem passada através destas músicas (caso de MYM), interpretando-as não com base no que o Pearl Jam já fez ou no que poderia fazer, mas sim no contexto atual, que é o que estamos vivendo. Caso contrário, com o pé no passado, infelizmente não há como apreciar esta nova obra que o Pearl Jam está por lançar, seja ela prima ou não.”

Luiz Henrique Varzinczak
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9 comentários em “Opinião da PJ2Fly”

  1. Concordo muito com isso que escreveu. Só pra enfatizar, Inside Job é a melhor música do século na minha humilde opinião…Com relação as mudanças e a banda, sempre vão criticar, mas temos que tentar, ao menos, entender o porque te tomam esse rumo, e isso é muito complexo! Mas a banda seguiu o caminho desejado.Agora, eu não gostaria de ouvir Black ou alive o resto da vida em variações, entendem. Vejam o que o Alice in Chains fez, ridículo. Isso sim é mais do mesmo!!!!

  2. Perfeito, Luiz. Parabéns pela analise. É por esse caminho que os fãs devem procurar entender a banda. Pode não agradar, claro, mas acho que questionar o momento artístico da banda em prol de uma "inovação" por parte da música dos caras é na contra mão do que a banda sempre propôs: independência. Eles nunca quiseram fazer o que os querem, mas sim o que eles querem.

  3. Fiquei pensando na expectativa e na criatividade…Nós, como fãs, esperamos sempre algo que irá mudar o mundo, que será um marco, uma obra prima, etc, mas será que a banda se preocupa mesmo com isso? Acho que o Pearl Jam toca hoje, muito mais por prazer…Eles não precisam provar nada, nem pra fã, e nem pra eles mesmos…Li outro dia um livro falando sobre criatividade, e um trecho dizia que a criatividade aparece em momentos em que somos expostos a desafiar. Diante disso, será mesmo que a banda está focada nesse desafio? Será que sempre terão que fazer algo marcante? Obra Prima? Acho que o principal desafio e alegria da banda, é tocar ao vivo…Percebo a vibração dos caras, e acho que isso é mais importante HOJE pra eles.Acho que muitos estão levando tudo muito a sério, talvez por uma própria postura da banda que foi assim durante anos, mas será que eles estão levando as coisas tão assim, como antes?

  4. O texto foi direto ao ponto! Rápido e simples!! Muito Bom…Acredito que toda essa desconfiança e questionamentos muito tem a ver com o Backspacer, que para muito fãs (Inclusive eu) foi um tanto quanto simplista demais…..e isso acabou levando alguns fãs a levantarem tal desconfiança sobre os discos mais atuais (leia-se Pós 2000). Pra mim, Binaural é TOP 3 do PJ e o Acacate, compartilho da mesma sensação do Luiz, foi delicioso ouvir ele junto com o encarte.Finalizando…Backspacer foi um disco simplista….aí depois eles criam "olé" (Cara, quando escutei… me deu uma Tristeza) e consequentemente criaram um "alerta" no fãs.MYM já quebrou esse alerta que existia em mim (Se é que ele existia), agora… só estou ansioso para conhecer todo o resto.

  5. Concordo plenamente com a sua análise Luiz. Os tempos são outros e eles precisam acompanhar essas mudanças, para poderem sobrevier, por isso que ainda estão ai, fazendo sucesso, mas a essência continua a mesma.

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