Resultado da Enquete e Análise do Lightning Bolt




1 – Péssimo 
2 (0%)
2 – Fraco após 4 anos esperando 
25 (10%)
3 – Bom, mas poderia ter sido melhor 
42 (17%)
4 – Muito bom 
96 (40%)
5 – Ótimo, valeu os 4 anos de espera 
73 (30%)
Para a maioria dos amantes do Pearl Jam o Lightning Bolt é um álbum “muito bom”; e correndo junto, um grupo considerável o considerou “ótimo” (a melhor avaliação possível). Ou seja, o LB é de fato, um grande álbum?
Depois de ouvi-lo dezenas de vezes e sentido melhor o que ele tem para dizer, posso comentar com segurança que ele é de fato muito bom, podendo até ser considerado excelente. As letras do Eddie nele são as melhores desde o Binaural, e é bom ver que ele decidiu escrever letras mais trabalhadas e, de início, de dífícil assimilação. O que é afinal esse Lightning Bolt que decide quando você irá morrer? (“And your death will soon arrive as she finally decides that all her problems, they won’t die with you”) Será que esse raio que dá título ao álbum é a morte? Considero muito essa hipótese, afinal, boa parte das músicas trata dessa temática, então vamos lá, música por música, tentar atestar isso:
“Getaway” nos diz que a imposiçào religiosa é um parasita, é que devemos ter liberdade de escolhar o que bem queremos, e, de preferência, não ter fé seria o caminho (“Sometimes you find yourself having to put all your faith In no faith”). A morte aqui é vista como algo desprendido de uma crença: a única certeza que temas é a da nossa própria morte, e não faz sentido ter uma crença, ainda mais imposta por uma religão.
“Mind Your Manners” é a continuação de “Getaway”, só que agora mais raivosa, tentando mostrar o quanto essa imposição religiosa é doentia e vazia, e que talvez não vivamos mais do que essa vida aqui na terra: “May not live another lifeMay not solve our mystery”. “Getaway” e “Mind Your Manners” seguem a mesma linha: seja livre de religião, viva de acordo com os seus princípios; afinal, a morte e inevitável e o que vem depois é irrelevante, afinal, não há como ter certeza de nada.
My Father’s Son sai dessa esfera religiosa e vai para um lado mais existencialista. Os questionamentos agora se voltam para o Eddie e a suas relações familiares. Ainda estou entendendo melhor a letra, mas gostei muito da música!
Sirens reabre essa discussão vida e morte, e faz isso de uma maneira dolorida… A nítida sensação de que tudo de bom que ele tem ao lado da sua esposa, filhos, vai acabar um dia. Aproximando-se dos cinquenta anos, o Eddie começa a olhar mais para frente e vê que esse fim inevitável discutido na “Getaway” e “Mind Your Manners” tem reflexos na sua própria vida; as sirenes soam, e uma hora elas irão soar para mim. “Whelmed by the grace, by which we live our lives with death over our shoulders.” essa talvez seja a frase mais triste que o Eddie escreveu nos ultimos anos; triste e ao mesmo tempo irônica: somos abençoados com essa “graça” chamada morte, que pesa constantemente sobre os nossos ombros.
“Lightning Bolt”, eu acredito, é a morte, e é tratada aqui de uma forma até certo ponto lúdica. Ela virá para todos nós, e quando o raio nos atingir, estaremos livres. Ela é a minha música preferida do Lightning Bolt, por isso vou escrever um review só dela e não vou me alongar aqui.
Infallible já mostra essa ideia de finitude das nossas vidas no próprio refrão: ao pensar que éramos infalíveis, provocávamos o destino ao fazer isso. e, a frase que diz tudo: hora de começarmos, aqui no fim. (“Time we best begin here at the ending…”) Agora que consigo ver melhor as coisas (Sirens também expõe essa questão de que ele agora ve as coisas melhor), vamos aproveitar o tempo que podemos.
“Pendulum” encerra, pelo menos momentaneamente, esse diálogo com a morte. Entendo esse “pra lá e pra cá” (“to and fro”) do pêndulo como o nosso tempo se esvaindo… Vagarosamente… Parece que o “lightning bolt”, também conhecido como a morte, coloca esse pêndulo em movimento e decide quando ele vai parar. 
“We are here and then we go… My shadow left me long ago” Essa sombra que já se foi é, ao meu ver, esse tempo que já passou e que só agora o Eddie percebeu o quanto a vida é curta.
“Swallowed Whole” era pra ser do Backspacer, e isso fica bem claro ao ver, finalmente, algo mais esperançoso no álbum. Bom, a morte vai chegar para todos nós, mas vamos tirar tudo que podemos dela. Uma das que menos gosto do álbum, mas que tem uma levada muito interessante e encaixa bem com esse lado otimista do álbum.
“Let the Records Play” dá continuidade ao “aproveitar a vida” de Swallowed Whole. A música é uma das melhores coisas que o homem já fez, então vamos colocar um disco para rodar, quem sabe usar algum tipo de droga, e ouvir o que esse ente “música” tem para nos dizer. Quando a vontade vier, coloque uma música e se desligue do mundo. A pegada blues que o Stone criou dá uma atmsofera que combina com esse estado de prazer que a música dá.
“Sleeping by Myself”, o que você faz aqui? Ainda tento imaginar o motivo dela estar nesse álbum. Das vezes em que o Eddie fala de amor é aquele amor já consolidado e seguro, onde o único medo é o de que tudo vai acabar um dia, e não um amor adolescente, imaturo. Não há dúvida de que ela está deslocada. Mas, de qualquer forma, gostei dos arranjos e da levada que ela ganhou.
“Yellow Moon”! Que agradável surpresa! Uma das melhores músicas do Lightning Bolt e uns dos intrumentais mais diferentes e sutis já feitos pelo banda. A letra retoma essa ideia de morte, mas ela é tão diferente do restante das outras música que tratam desse tema! A morte é apenas um detalhe aqui, e o que interessa é a nossa existência aqui na terra enquanto contemplamos uma lua no céu. “Yellow Moon” consegue ser tão suave e ao mesmo tempo tão densa! E a sua letra, mesmo tão simples e breve, diz muito, e vai levar um bom tempo para entendê-la melhor.
Quando saiu a versão demo da “Future Days”, com apenas o violão e a voz, achei que ela seria mais uma “Just Breathe”, mas depois de um tempo ela cresceu enormemente. Não sei se é uma questão pessoal uma vez que penso as mesmas coisas com relação à minha mulher, ou se ela é simplesmente fantástica; é provável que seja os dois. Ela é tão delicada mas ao mesmo tempo tão intensa (diferente da Just Breathe); e a levada que ela possui transmite uma emoção única! “You came deep as any ocean… Did something out there hear?” Não há dúvida que o Eddie achou finalmente o amor, tanto na figura da sua esposa quanto das suas filhas. E, como não podia deixar de ser, a ideia de morte aparece aqui quando ele sente o medo de que isso é bom demais para acabar (“Please, this is just too good to be gone”), mas, agora ele vê os dias que restam não como um caminho para o fim, mas como dias futuros, que podem ser vividos felizes agora que ele conseguiu ver o que é de fato o amor.
E assim o álbum termina: entristecido pelo fim inevitável, mas feliz por tudo que a vida pode oferecer enquanto ainda estamos aqui.

Retomando a pergunta inicial: o Lightning Bolt é um grande álbum? Ainda não sei responder, mas acredito que ele tenha um grande potencial! O que posso dizer é que fiquei surpreso com o que ouvi… Por algum motivo qualquer esperava menos dele, mas agora que ouvi tudo com mais calma, posso dizer que acho ele excelente e com potencial para ser muito maior!
João Felipe Gremski
*Quer ler mais sobre a opinião da PJ2FLY? O Luiz também escreveu uma ótima análise do Lightning Bolt, publicada anteriormente clique aqui para ler!
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21 comentários em “Resultado da Enquete e Análise do Lightning Bolt”

  1. Finalmente João. Senti falta de suas resenhas. O tema do disco é evidente com o passar do tempo e as inseguranças. Acho que estas incertezas pairam sobre todos nós. Só espero que isso não seja uma previsão do fim desta banda maravilhosa. prefiro ouvir um "Eddie" mais esperançoso. Achei interessante a frase "o que este ente "música"". A música como um ser, como algo vivo. Na minha opinião, tanto na letra como na melodia, "Infallible" é única e perfeita e o álbum, com exceção da SBM, é um dos melhores da banda. Falando em fé, ele resgatou a minha com relação ao Pearl Jam. Depois de Backspacer comecei a me questionar sobre o futuro dela e cheguei a achar que poderiam até se desfazer para se dedicar a projetos paralelos. Que bom que isso não aconteceu!

  2. Realmente as letras fazem com que sua análise do disco mude totalmente… esses dias me peguei intrigado com a 'Yellow Moon' e pra mim ela claramente fala sobre suicídio… Suicídio como uma forma de escape, uma fuga de todos os problemas.Aqui aparenta que o personagem da música define a 'lua amarela' como um paraíso desconhecido: 'Round we go Where we stop no one knows So tonight the moon I go'e a decisão do personagem em 'conhecer' tal paraíso tirando a própria vida:"An echo that rings a bullet unchained One life, one grave, joins the parade……Yellow moon on the rise"Enfim, sensacional essa análises. Cada vez mais fascinado por esse disco!Abraços Vitor M Vicente

  3. Realmente as letras fazem com que sua análise do disco mude totalmente… esses dias me peguei intrigado com a 'Yellow Moon' e pra mim ela claramente fala sobre suicídio… Suicídio como uma forma de escape, uma fuga de todos os problemas.Aqui aparenta que o personagem da música define a 'lua amarela' como um paraíso desconhecido: 'Round we go Where we stop no one knows So tonight the moon I go'e a decisão do personagem em 'conhecer' tal paraíso tirando a própria vida:"An echo that rings a bullet unchained One life, one grave, joins the parade……Yellow moon on the rise"Enfim, sensacional essa análises. Cada vez mais fascinado por esse disco!Vitor M VicenteAbraços

  4. Excelente resenha, João! LB tende a crescer como todos os discos do PJ fizeram.Aliás, só eu gostei mais de Backspacer depois de ouvir LB? O clima leve dele vai na contramão do último disco, é ótimo ter esse panorama da banda que não estaciona numa fase. Segue adiante.No próximo disco espero letras mais esperançosas e músicas com instrumentais mais pesados, como Of The Earth. E principalmente, espero que não demore 4 anos pra ser lançado.

  5. Ninguém aqui acha que My Father's Son ée um tipo de afronta a "Deus"??Acho que a "reclamação" do Ed é muito maior que a reclamação de um simples pai ausente ou ruim…. a raiva dele é contra o Deus pregado nas religiões…Essa minha ideia se reforça muito na última parte da música.

  6. Cara, tenho uma interpretação diferente sobre LB – a música. Quero ver seu desenvolvimento para ver se me convenço. Mas tem algo que me faz pensar diferente. Mas acho que a minha interpretação e a sua percorrem caminhos diferentes para chegar no mesmo ponto. Se me permite: Primeiro, começo com a parte chata da minha contraposição, ou porquê a letra não me permite concordar que "lightning bolt" seja "a morte": nos versos lightning bolt é adjetivo de algo. Até poderia ser a morte, mas acontece que o sujeito é feminino: She's lightning bolt. Em português faria sentido, mas é inglês e, até onde conheço o idioma, o subjetivo death não teria "flexão de genêro". Além disso, pelo que vi rapidamente na web, no pensamento inglês a representação de morte é a do "Grim Reaper", o ceifador. Em países latinos, como nós, associamos a um personagem feminino – daí faria sentido, se a letra tivesse sido escrita em português ou espanhol associar o "ela" a morte. She comes on like a stone. Mas, pelo que vi, pensar em algo assim não faz sentido aos colegas ao norte deste continente. Agora que banquei o nerd chato, posso ajudar com outra interpretação? Quem seria o "she" da música? Jill? Pensava isso no começo. Revi e acho que é sua filha! Looking for a place to landShe said, "Have you got yourself some sand?"And whatever you replied, she took as yes – Ou: que criança aceita um não como resposta?Now she comes after theeWith her newly planted seeds and soonYou're prone down on your knees and their you digEejo aqui Ed Vedder confessando que é um pai babão, de joelhos frente a tudo o que ela faz!And then before you know the weeds areObesely overgrown with all theWild seed she sows in your sleepOu: ela está crescendo e ele nem viu!Always something and never nothingIsn't that the way we're taught to be?Flipping through the worn out pagesAnd stages when you knew not who to beTil the lightning strike sets you freeEsse trecho, se minha interpretação se aproximar das intenções do Vedder, seria um dos mais bonitos: o surgimento dessa família na vida dele resignificou tudo, o fez gostar mais da vida, sentir vontade continuar e não parar jamais. Essa família o libertou dos fantasmas do passado (complementando essa ideia, sou da opinião de que há certa animação geral no "espírito" da banda, no palco, nos clipes que voltaram, nas músicas de maneira geral, desde o casamento e o nascimento, etc.)And your death will soon arriveAs she finally decides that all herProblems, the won't die with youShe’s a lightning boltA morte, aqui, é ainda mais figurada (mas aqui eu tô viajando já longe): a "morte" dele é perceber que os problemas da filha serão resolvidos por ela mesma, independente do que ele faça!Mas, no final das contas, acho que você está mais do que certo. O disco tem esse clima mesmo. Só acho que, ao menos nessa música, é menos sobre a morte em si que ele canta e mais uma necessidade de aproveitar o tempo que passa – inevitável – ou melhor, "inexorável"; um rio que corre para o fim, qualquer que seja ser vivo no planeta! Ainda não sou pai, mas comecei nova família recentemente. E o futuro, em especial em que tudo isso vai dar, para onde vão nossas lembranças, nossos momentos felizes, se haverá alguma coisa depois são das coisas que eu tenho pensado ultimamente também. São os 30 que batem à porta. E de fato tenho pensado nisso ouvindo ao LB!Um abraço e parabéns pelo site!

  7. Coloco aqui o comentário do Victor, que não conseguiu postar aqui no blog e nos mandou um email com uma análise bem interessante da Yellow Moon! Segue abaixo:Vitor M. Vicente – Segue abaixo meu comentário que tentei incluir lá nos comentários: Realmente as letras fazem com que sua análise do disco mude totalmente… esses dias me peguei intrigado com a 'Yellow Moon' e pra mim ela claramente fala sobre suicídio… Suicídio como uma forma de escape, uma fuga de todos os problemas. Aqui aparenta que o personagem da música define a 'lua amarela' como um paraíso desconhecido: 'Round we goWhere we stop no one knowsSo tonight the moon I go' e a decisão do personagem em 'conhecer' tal paraíso tirando a própria vida: "An echo that rings a bullet unchainedOne life, one grave, joins the parade… …Yellow moon on the rise" Enfim, sensacional essa análises. Cada vez mais fascinado por esse disco! Abraços

  8. Em que sentido você quer dizer que ela não "casa" com o album? Eu discordo totalmente de você. OTE tem muito a ver com o novo álbum, principalmente por ele ser bem eclético. SBM realmente não precisava estar no LB, mais por ter sido canção solo do Eddie. Talvez se não tivéssemos ouvido uma versão dela em Ukelelê, ela não soaria tão estranha no LB. Mas isso é questão de ponto de vista.

  9. Talvez o termo Lightning Bolt possa representar alguma coisa que em certo momento altere a "visão" ( ponto de vista, percepção, maneira de ver a vida, etc). Vendo a capa do album, a antena-radar ou algo do tipo captando-atraindo os raios que atingem o olho ( a "visão" – percepção da pessoa) e deixam a marca dele no olhar. E apartir daí a pessoa passa a ter um modo diferente de perceber as coisas.E acho que ser contra as religiões não necessariamente significa não ter fé ou não acreditar em alguma força superior, etc. Pode ser contra a instituição religiosa, contra dogmas, conceitos, interpretações distorcidas e blablabla. Mas pode ter uma fé , mais pura e livre independente de religião….

  10. Bom, concordo com a maior parte…parabens pela análise…mas andei lendo em um foro q nao me lembro agora que Lightning Bolt é o nome que o Eddie colocou na prancha de Stand up paddle dele…colocaram até uma foto da prancha e nela realmente esta escrito lightning bolt….acho q se analisar a letra até que encaixa sim….fica pra vcs analisarem aí…de repente nao é algo tao profundo como a morte..mas como o proprio Eddie prefere que façamos nossas interpretaçoes, vamos lá…rs

  11. Ele pode ter dado esse nome pra prancha, ou pro que for, mas na minha opinião não significa que seja sobre a prancha. E na época do backspacer tinha uma tartaruga batizada Backspacer. Foi batizada com esse nome por causa do album e não o album por causa da tartaruga. Ou não? 🙂

  12. Sim, já tinha ouvida falar sobre isso.. Mas fiz a interpretação bem livre.. Da primeira coisa que eu pensei ou ouvir ela… Mas é isso que você disse: o eddie dificilmente explica o que é, daí fazemos essas interpretações mirabolantes… hahaha

  13. entao, só colquei a questao no ar…nao estou dizendo q a musica realmente seja pra prancha…rsrs…como nao temos a palavra final do autor, sempre teremos pano pra manga nas interpretaçoes.. :]

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