Análise do Abacate

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O Pearl Jam lançou o Abacate em 02 de Maio de 2006. Para mim, Luiz, tem um sentimento especial: foi o primeiro álbum desta banda que pude acompanhar o lançamento. Não só isso: o Abacate proporcionou a turnê que considero como a melhor do Pearl Jam em todos os tempos: 80 shows percorrendo muitas cidades da América do Norte, Europa e também Austrália. Shows com set-lists excelentes e nos quais voltaram a tocar Leash depois de muitos anos. Além disso essa época marca uma grande divulgação do disco com aparições do Pearl Jam  em programas de tv como o Saturday Night Live, no Later…with Jools Holland e também no Late Night do David Letterman.

Considero o Abacate como um dos melhores discos do Pearl Jam. A sonoridade dele é incrível, a pegada e energia que eles demonstram após ter entrado na casa dos 40 anos é sensacional. Um inicio poderoso e agressivo com uma sequência de arrepiar. Creio que se fossem lançados de maneira invertida, o Lightning Bolt e o Abacate se completariam: o primeiro tratando sobre a morte e sobre a fragilidade da vida. O segundo, por outro lado, tratando sobre o pós-morte. E é isso que deixa o Abacate um disco com emoções puras e reflexões não vistas de maneira tão forte em outros discos do Pearl Jam. Arrependimentos passados (Life Wasted, Inside Job), desilusões religiosas (Marker in The Sand), um estado inerte que talvez sirva de metáfora para o comportamento humano (Comatose e também Unemployable), saudades de entes queridos (Come Back escrita pelo Eddie para o Johnny Ramone).

Em 2005, durante a primeira vez do Pearl Jam no Brasil, em entrevista para a MTV o Eddie comentou sobre as composições sofrerem influência do meio que os cerca. Por isso, temos no Abacate também uma ampla abordagem política, assim como no Riot Act, com World Wide Suicide e Army Reserve. Army Reserve que, por sinal, foi escrita com ajuda de Damien Echols, um dos três acusados que o Eddie defendeu em uma longa batalha para provar a inocência de três garotos de West Memphis em um crime de homicídio na década de 90 (caso West Memphis Three). Sem contar a poderosa Severed Hand (que ainda não consigo ter uma interpretação sólida) com seu começo tímido e curioso e um final magistral, com o Mike realizando um dos melhores solos. Ainda preciso citar a calma Parachutes (uma pérola do Stone) e a Big Wave, outras músicas que valem a pena ouvir com calma.

Na época do lançamento do Abacate muitos criticaram os backing vocals do Matt em diferentes músicas. Pra mim, ele deixou as músicas melhores, reforçou o que elas queriam passar e combinaram com o contexto. Aliás, a participação do Matt no Pearl Jam atingiu seu ápice em 2006 tanto com os backing vocals quanto pela possibilidade de realizar um solo de bateria durante a turnê europeia em Even Flow. Para mim, de maneira geral, as duas joias desse disco são Come Back e Inside Job. Não apenas desse disco, mas do Pearl Jam como um todo. E elas representam, ao menos pra mim, que o Pearl Jam 16 anos depois, uma banda que muitos não davam mais muita bola, ainda tinha inspirações verdadeiras para compor. Tinha sentimentos e opiniões fortes que, embora muitas vezes tristes, realçam a realidade de nossas vidas. A única coisa que lamento do Abacate é que em 2013 vazaram dois B-Sides do disco (Let it Ride e Cold Confession) e que mereciam muito estar nele.

A PJ2Fly traz abaixo uma demo inédita de 8 anos atrás e que provavelmente poucos ouviram: é uma versão alternativa da World Wide Suicide. Depois de anos procurando ela após ter ouvido em 2006 e perdido o arquivo, o leitor Wagner Freitas nos enviou novamente há alguns dias. Além disso, para não me alongar nesta breve análise, como comentei que a turnê de 2006 foi a melhor do Pearl Jam, gostaria de recomendar dois shows para quem puder ouvir:

Torino, na Itália (O Pearl Jam tocou o Abacate na sequência e ainda tocou a rara Tremor Christ): Download

Newcastle, na Austrália (Depois de anos foi um show que começou com Alive e ainda teve raridades como Undone, Thumbing My Way e Alone. Foi um setlist escrito pelo Mark Richards, surfista amigo da banda): Download

Download WWS – Alternativa

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8 comentários em “Análise do Abacate”

  1. Massa! Concordo em 100% no que o Luiz falou! Gostei da consideração e dos pontos levantados ao Matt Cameron… E tem um show também que é muito bandido de se escutar, em Hartford 2008. Nem vou falar nada…, é só espiar o setlist desse show prá ficar de cara mesmo!

  2. Essa “WWS alternativa” que vocês chamaram de Demo na verdade foi uma brincadeira do fórum Red Mosquito. Até então nós só tinhamos o título da música e aí um cara que tinha uma banda cover dos caras fez essa “versão” onde só dá pra entender de verdade a letra do refrão (coincidentemente o nome da música). Muita gente acreditou realmente, lembro bem.. Eles lá do RM sempre fazem essas sacanagens em época de lançamento hahahaha

    Para explicar melhor: http://community.pearljam.com/discussion/145336/fake-world-wide-suicide-demo

    Para mim, a melhor música do álbum: Parachutes!

  3. Ouça PJ desde Alive e posso afirmar; o Abacate é um dos melhores álbuns dos caras!
    Fiquei empolgadíssimo após a primeira audição.
    Riffs de guitarra, solos, finais épicos…
    Depois de muito tempo, finalmente a banca toca com energia…
    Achei que o Vedder estivesse morto no Riot Act, mas finalmente ele voltou a soltar a voz…
    Espero que esta ondinha Backspacer + Lightning Bolt passe logo…

  4. no conjunto da obra os boots da tour (2006) do Abacate são os melhores… a banda em ótima forma em gravações de excelente qualidade…

  5. Na MINHA opinião o ” Abacate ” é um bom disco. Na verdade gostei mais da turnê dele como o Luiz falou que foi extensa e com set’s incríveis.
    Mais de uma maneira geral contando do Riot Act pra cá no meu gosto ele vem em terceiro, pra mim a melhor sequência é Riot Act, Lightning Bolt, ABACATE e o Backspacer. Mais isso é questão de gosto.
    A música que mais gostei dele, pra mim uma obra prima é Inside Job, primeira letra do Mike, e segundo o Eddie Vedder citou no show do SP em 2011 ela foi escrita em um quarto de hotel em SP por isso ele fez questão de tocar ela aqui naquele ano, foi demais !
    Comentar sobre discos do Pearl Jam é complicado pq nós fãs gostamos de todos, mais numa maneira geral o ” Abacate ” e o Backspacer são os mais fracos.

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