Grievance

Este post tem um título simples e singelo, nome de uma excelente música do Pearl Jam. Quem nos acompanha sabe o quanto gostamos de ver a opinião dos fãs do Pearl Jam, seja nos comentários no nosso site ou enviando textos para nossa área do site intitulada Texto dos Fãs. O Cristiano Feix já nos enviou alguns textos que publicamos lá. Recentemente ele nos mandou uma análise de Grievance contextualizando com as eleições que acabaram de ocorrer no Brasil. Achamos o texto tão bom que decidimos postá-lo na página principal do site.

Grivance

Em época de eleição sempre afloramos o espírito patriota, discutimos o engajamento dos candidatos, as propostas, ou no caso de reeleição, aquilo que foi feito no mandato anterior.

Com as eleições já definidas, sabemos que a candidata Dilma Roussef, do Partido dos Trabalhadores, foi reeleita sob fortes críticas do povo do sul e sudeste. Amplamente vitoriosa no norte e nordeste, e derrotada no sul e sudeste, o que gerou revolta dos eleitores, a cabo principalmente de benefícios amplamente distribuídos na região vitoriosa.

Deixando de lado os méritos e deméritos dessa eleição, quero falar um pouco do engajamento político e social do Pearl Jam.

No ano de 2000, um novo Pearl Jam nasceu. Devido tanto à tragédia de Roskilde e às eleições presidenciais americanas, que definiram George W. Bush, filho de George Bush, presidente dos EUA.

O Pearl Jam em si não participou de nenhuma campanha política, mas Eddie Vedder sempre foi declaradamente contra a eleição de Bush.

Na sua visão, sempre muito coerente, era um retrocesso para o povo americano ser comandado pelo filho daquele que promoveu uma guerra contra o Iraque, no golfo, no final dos anos 80, sem nenhum motivo real.

Ao ser eleito, George W. Bush despertou em Vedder e em todo o Pearl Jam um sentimento diferente, que se refletiu no álbum posterior, o Riot Act.

Riot Act foi lançado em 12 de novembro de 2002, quase dois anos depois das eleições de Bush. A banda como indivíduos e cidadãos, pode experimentar o governo Bush, por quase dois anos, assim como o resto do povo norte-americano.

Quando foi lançado o álbum, o que se via era um novo Pearl Jam, com músicas de protesto, algumas protesto extremo (Bushleaguer), e se viu um Vedder diferente (o mais diferente de todos), tanto visualmente, quanto nas atitudes, mas principalmente em sua essência, a música.

Dessa indignação, nasceram Can’t Keep, Get Right, Bushleaguer, Green Disease, Help Help e outras que podem até não terem sido diretamente criadas por indignação ao governo, mas suas letras e reflexões se encaixariam em um contexto de protesto.

Juntamente desse disco, veio uma tour muito diferente. Alternando pequenos clubes e grandes teatros, o Pearl jam se apresentou 73 vezes, em um cenário escuro, e tendo um Vedder contido, as vezes parecendo um leão enjaulado pronto a arrebentar as grades e avançar na plateia. Algumas vezes esse leão conseguia escapar, geralmente depois de um encore break, e aparecia em forma de Bushleaguer.

Pra mim, Bushleaguer foi a forma mais criativa de expressar a indignação que a banda sentia em relação a George W.Bush. Algumas vezes a banda fora vaiada, principalmente quando Vedder arriscava tudo e se vestia de Bush no Texas, terra do ilustre ex-governador local.

Bushleaguer foi, e ainda é referência nesse quesito de protesto. Vedder arriscou, com toda a certeza, até sua vida ao escrever e executar essa música tantas vezes.Mas ao executar sua arte de tal forma explícita, Vedder conseguiu aquilo que queria, ou seja, demonstrar na música sua indignação perante a eleição de Bush.

2

Passado o tempo nublado da primeira eleição de Bush, veio sua reeleição em 2004.

Antes disso alguns artistas se engajaram numa tour chamada “Vote for change”, onde o Pearl Jam, Bruce Springsteen, R.E.M, Dave Matthews Band, Ben Harper, John Fogerty, Neil Young e muitos outros declararam-se contra a reeleição de Bush,e fizeram em parceria uma tour por todo os EUA. Infelizmente não obteve o sucesso e bush fora reeleito.

Sem título

E sua reeleição veio a calhar com a reeleição de nossa ilustríssima Dilma Roussef.

O sistema brasileiro de votos é diferente do americano, lá é eleito o maior numero de colégios eleitorais, aqui, é o total de votos que determina o vencedor.

E em meio a protestos e a um cenário parecido do que vivemos aqui hoje, Bush foi reeleito.

Após sua reeleição, o Pearl Jam começou a trabalhar no seu novo álbum, o homônimo Pearl Jam (ou o abacate, como ficou conhecido).

Nele, influenciado pela reeleição de Bush, veio World Wide Suicide em primeiro estágio. Em seguida Eddie começou a trazer para os shows do Pearl Jam a canção “No more”, de sua autoria.

No more foi usada também no documentário sobre ex guerrilheiros do Iraque, e em várias campanhas de familiares e ativistas contra a guerra e contra Bush.

Esse contexto Bush x Pearl Jam foi apenas uma das fases da nossa querida banda, que se influenciou do cenário político para escrever música.

Ainda antes mesmo de Bush e do Riot Act, veio Grievance do álbum Binaural.

Grievance é (em minha opinião) a música mais tocante e forte em termos de protesto. É um hino.

Vedder usa de toda sua maestria, pitadas irônicas e grande desempenho vocal, para descrever um período eleitoral.

Ela cabe exatamente no que vivemos hoje no Brasil, letra por letra.

“Pull the innocent from a crowd. Raise those sticks them bring them down. If they fail to obey. Ah, if they fail to obey. Yeah yeah.

For every tool they lend us a loss of independence.

(Tire o inocente de uma multidão,… Engrandeça esses idiotas depois os deponha,… Se eles não obedecem,… Ah, se eles não obedecem,… yeah  yeah,…Para toda ferramenta que eles nos emprestam,… Perdemos nossa independência.”)

Esse trecho principalmente, me lembra o nosso tão comentado bolsa família…

Se outros músicos talentosos seguissem o exemplo desses artistas que conseguem transpor em música o sentimento de parte da nação, talvez tivessem pessoas mais conscientes na hora do voto.

Nós fãs de Pearl Jam entendemos isso, e por hoje só podemos deixar nossa queixa para a bandeira nacional.

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7 thoughts on “Grievance”

  1. Caras…não concordo com a analogia feita! Politicamente até poderia ser, mas o exemplo pontual do bolsa familia foi infeliz, acredito. Além disso, o contexto de protesto da banda em relação ao Bush é totalmente diferente do contexto de “rejeição” demonstrado aqui. Bush foi um sedento por guerras, um dependente do lobby armamentício americano. As situações estão longe de serem iguais! Respeito a opinião do referido fã e achei o texto bem escrito e fluente. Contudo acho forçado traçar um paralelo entre as situações!

    1. Texto muito bem escrito de fato, mas concordo contigo Wellington. O único paralelo que enxerguei, foi no trecho em que ele afirma que a eleição do Bush seria um retrocesso para o povo norte americano. Lembrei que nem tive grana pra comprar No Code, Yield e Binaural nos anos dos seus lançamentos…

  2. O texto ficou muito bom. Em algumas partes excelente, em outras
    muito interpretativas.
    Mas o mais legal é o espírito incorporado a lá “Bushleaguer”.
    O fã incorporou a ideia de Vedder em expôr sua opinião e o fez de
    maneira polêmica, assim como em bushleaguer.
    Gostei bastante da parte do bolsa família, acho que o bolsa é um
    mal necessário no país. Mas como tudo que vemos no governo ele esta
    cheio de sujeira e corrupção.
    Parabéns ao blog por dar respaldo a opinião dos fãs! Isso é ser PEARL JAM!

  3. Bacana o texto, mais a analogia foi completamente infeliz, falo isso porque num cenário político completamente deteriorado em que vivemos, onde TODOS os partidos políticos encontram-se envolvidos nos mais variados escândalos de corrupção, você pinçar um programa social que retirou 36 milhões de pessoas da miséria extrema para ilustrar os problemas de governo( que são muitos) e forma de controle é no mínimo leviano.
    É fato que o bolsa família não deve ser solução, e mesmo que o partido que o instituiu fale o contrario, ele não é: um benefício com o teto de R$252,00 para famílias com mais de três filhos e que tenham uma renda de R$0 a R$140,00 por pessoa, acho que dá pra perceber que isso não sustenta uma família de cinco pessoas, é na verdade menos que o mínimo necessário pra comer.
    É importante o investimento para que essas famílias possam evoluir e caminhar sozinhas, mais isso pode demorar décadas em se tratando de Brasil, e quem tem fome, tem pressa.
    Não existe independência pra quem passa fome, ou vê seus filhos passarem fome.E eu acho pouco provável que o Pearl Jam sempre engajado pelo social e que defende tanto o ser humano, e o amor , fizesse tal analogia no nosso pais, a realidade dos EUA e muito diferente da nossa.
    No Brasil caso não há diferença entre partidos, no que tange as camadas desfavorecidas, antes se ganhava eleições indo aos guetos, tomando café nas casas dos pobres, beijando criancinhas e prometendo uma mudança, que nunca vinha. Hoje existem os programas sociais. Existe uma grande parcela da sociedade que não quer entender isso.
    Porem o partido que venceu, não venceu só no nordeste como foi dito, venceu em Minas Gerais e Rio também dois importantes estados do sudeste, e a realidade da eleição é que ela foi parelha em todo pais e as pessoas preferem não ver essa realidade, é mais fácil culpar o nordeste e o bolsa família, do que encarar que a tal “mudança” que o povo tanto queria não nos foi oferecida nessas eleições, deveríamos escolher seis ou meia dúzia. Talvez seja hora de analisarmos como chegar, a uma possibilidade real de mudança nas próximas eleições, não só para o cargo de presidente porque ele não tem todo o poder como o povo pensa, mais para todos os cargos eletivos do nosso pais, isso sim levaria a uma mudança real.
    Eu tinha prometido que não ia ficar na internet discutindo política, porque eu acho que não havia defesa para nenhum dos candidatos. Mas como era sobre essa banda que eu amo,e esta questão especifica do bolsa família, que tem sido tratado com tanto preconceito ,resolvi deixar a minha opinião, completamente desvinculada de qualquer partido político, é somente a minha visão sobre o tema.
    *desculpe por falar demais

  4. Achei muito massa o texto da Maria Pereira lá no link “Textos dos Fãs”. É bem aquilo o que ela escreveu que eu as vezes procuro me expressar aqui nos comentários quando alguém começa a falar mal da banda sem fundamento nenhum. Ou então, o cara acabou de entrar no ônibus ou no barco e já fica falando besteira achando que é o quente da parada… As vezes eu sei que eu me expresso de um jeito meio rabugento, mas quando a pessoa (eu) viu a banda surgir lá em 1991, escutou o álbum Ten pela 1ª vez em uma fita cassete em 1991 também, e a partir disso a pessoa curte a banda de lá prá cá, todos os anos passados, ano a ano, e depois começa a ler uns comentários medíocres sobre a banda aqui neste belo e maravilhoso site, o mínimo que a pessoa (eu) pode fazer é dar a sua versão da coisa para tentar defender a banda e a sua (minha) posição sobre o Pearl Jam. Versão de quem viveu toda aquela época… Mas, sempre com respeito, temos que ler, escutar, descartar ou não a opinião dos outros…, assim como a minha.

  5. Fico feliz que os comentários aqui estejam questionando a interpretação do post. Também achei muito leviano comparar o governo Bush com o da Dilma, e concordo com tudo o que a Graziela disse acima. Além disso, Grievance, como o autor Cristiano mesmo disse, foi escrita antes do Bush ser eleito, e no PJ20 diz que ela fala sobre “impacto da tecnologia sobre a individualidade” (pag. 233). Ou seja, cada um enxerga o que quer ver. Concluindo, acho que seria mais sensato pesquisar sobre os fatos (tanto sobre as músicas quanto sobre política), analisar várias fontes, antes de postar uma opinião veiculada para tanta gente.

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