Opinião: Por que o Pearl Jam não lança mais tantos discos de estúdio?

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Uma das coisas que muitas pessoas comentam e nos questionam é que o Pearl Jam perdeu sua vitalidade artística ou os membros perderam o interesse em continuar com a banda. Todos que acabam assitindo entrevistas ou lendo reportagens percebem que o interesse de cada um pela banda continua o mesmo e, se duvidar, é ainda maior, tendo em vista as turnês e os grandiosos shows que têm acontecido. Porém, isso não se reflete no lançamento de discos de estúdio pela banda. Em 12 anos, de 1990 até 2002, 7 discos de estúdio e que exigiram composições e gravações foram lançados (Ten, Vs., Vitalogy, No Code, Yield, Binaural e Riot Act). Sem contar o Mirror Ball com o Neil Young em 1995. No mesmo período de 12 anos, entre 2003 e 2015 tivemos apenas 3: Abacate, Backspacer e Lightning Bolt. Muitos podem afirmar que isso se deve aos projetos paralelos dos membros da banda. Mas contra esse argumento vem o fato de que na década de 90 além de ter excursionado e produzido um álbum com o Neil alguns integrantes da banda já tinham projetos paralelos, como é o caso do Mike com o Mad Season, o Stone com o Brad e sua carreira solo lançando o Bayleaf, e o Matt Cameron com o Wellwater Conspiracy e o Jeff com o Three Fish. Outro argumento para a baixa produtividade da banda em estúdio na última década é o fato de que a paternidade os atingiu. Muitos já deixaram isso claro como suas prioridades em entrevistas recentes, inclusive dizendo que influencia na suas composições.

Porém, um dos fatos mais marcantes que, em minha opinião, tem influenciado na falta de lançamentos do Pearl Jam é a falta de um contrato com uma gravadora e um selo. Entre o Ten e o Riot Act a banda tinha um contrato com a Epic. Contratos com gravadoras normalmente são em termos de produtividade. Por exemplo: No período de 10 anos, X álbuns devem ser lançados e dentre eles deve ter uma coletânea e um disco ao vivo (só como exemplo). Os últimos compromissos do Pearl Jam com a Epic foram o Riot Act de estúdio, o Lost Dogs e o Rearviewmirror. Sem a pressão para lançar um disco novo, o que era comum a cada, no máximo, 2 anos durante toda a década de 90, fez a banda levar 3 anos e meio para lançar o Abacate, em Maio de 2006, após ter feito um acordo com a J Records para produção de um único disco. Na época, a banda chegou a comentar sobre como essa falta de pressão aliviava o trabalho deles, deixando-os mais livres. Inclusive, pode ter sido um motivo para o disco não ter um nome além do nome da banda e ter em sua capa um Abacate.

Em 2009, a banda lançou o Backspacer com o selo da Monkeywrench, criado pela própria banda, tendo feito acordos comerciais somente para a distribuição do material com as lojas Target e a Universal, por exemplo. Em 2013, com o Lightning Bolt, o mesmo aconteceu, sendo agora a Monkeywrench um selo e uma gravadora muito mais forte do que anteriormente.

Diante desses fatores, podemos conceber que não foi a criatividade da banda que estagnou. Tomando por base as composições desde o abacate tivemos Come Back, Inside Job e Marker in The Sand, que são canções belíssimas, ao mesmo tempo que foram compostas canções críticas e pesadas no Lightning Bolt como Mind Your Manners, My Fathers Son e Infallible. Isso sem contar o Backspacer que teve Force of Nature, Got Some e Unthought Known. Talvez o problema em avaliarmos essas canções e suas letras de maneira positiva seja, como muitos devem concordar, o grande espaçamento temporal entre os lançamentos, como foi o caso entre o Backspacer e o Lightning Bolt, o que dá margens para um disco não ter uma comparação direta com um sucessor. Desta forma, uma certa continuidade natural acaba sendo quebrada por uma grande mudança de um disco para o outro, justamente por ser dificil acompanhar a evolução da banda devido à esta lacuna. Entretanto, é bom que lembremos também que ao longo da década de 90 o Pearl Jam não só lançou obras-primas como deixou coisas boas de lado. Só entre o Ten e Vs. teríamos um disco tão bom quanto os dois, com Breath, Footsteps, Alone, Hold On, Hard to Imagine, Wash. O mesmo acontece de 2006 pra cá, com Of the Earth, Let it Ride, Cold Confession e outras músicas que ainda nem conhecemos e que foram deixadas de lado do Abacate, Backspacer e Lightning Bolt.

Então, em nosso caso, devemos é contar com a sorte. Tendo em vista a freada no ritmo da banda, precisamos ter sorte em algumas boas pessoas que tem acesso aos b-sides compartilharem conosco. Só assim podemos perceber o quanto essa banda ainda tem a oferecer e que talvez nunca fiquemos sabendo.

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13 comentários em “Opinião: Por que o Pearl Jam não lança mais tantos discos de estúdio?”

  1. Belo texto, eu particularmente acredito dentre os fatores citados no texto, um dos problemas maiores não só para o PJ e outras bandas é o fator que hoje em dia se ganha dinheiro com shows, devem gastar muito com produção, tando de CD quanto DVD, por mais que eles são muito bem de vida, a música é o amor de cada membro, mas é o trabalho que os sustentam, talvez seja esse porém da demora em lançar, de não ter pressa, de estarem por conta sem pressão de gravadoras, como todos dizem, não precisam provar a maestria quem possuem na música, mas claro, ficamos sempre na expectativa e lançarem albuns com intervalo menor, musicas raras, dvds e etc.

    Abraços.

  2. Tá certo que o ritmo diminuiu.

    Mas analisemos outras bandas escolhidas a esmo, primeiramente de forma geral:
    Foo Fighters: 8 discos no total.
    Radiohead: 8 discos.
    Red Hot Chilli Pepers: lançou 6 discos da década de 90 pra cá.
    U2: lançou 7 discos da década de 90 pra cá.
    Alice in chains: 4 discos de 97 – 2010.
    Coldplay: 6 discos.
    Pearl Jam: 10 discos.

    Agora peguemos as mesmas bandas de 2002 pra cá:
    Foo Fighters: 5 discos.
    Radiohead: 3 discos.
    Red Hot Chilli Pepers: 3 discos.
    U2: 3 discos
    Alice in chains: 1 disco.
    Coldplay: 5 discos.
    Pearl Jam: 3 discos.

    Uma ou outra banda realmente grava mais discos. Mas no geral o Pearl Jam tá no mesmo ritmo que as outras (e se levarmos em conta que as outras bandas têm pressão de gravadora…)

    O que posso dizer dos 3 últimos discos do Pearl Jam é que são os que mais gostei. Exatamente na sequencia inversa de lançamentos:
    1º: LB.
    2º: Backspacer.
    3º: Riot act.

    Então pro meu gosto o tempo tem feito bem aos lançamentos, quando acontecem.

    1. Lista correta:
      1º: LB.
      2º: Backspacer.
      3º: Pearl Jam (abacate).
      *pensei nas musicas do abacate e por algum motivo desconhecido escrevi Riot act.

  3. Vou além…
    O último álbum pareceu preguiçoso. Saiu uma matéria, que foi publicada aqui mesmo no site, onde diz que o Brendan teve dificuldades para motivar a banda. Hoje cada um tem seu trabalho solo, e cada trabalho tem composições inspiradas. Ouço as músicas do Stone e do Jeff, e fico imaginando como ficariam na voz do Eddie e com toda banda contribuindo. O modo de compôr da banda mudou muito. Atualmente cada um compõe separado e a música mostrada já está quase pronta, a base não muda muito. Aquela dobradinha Stone/Vedder de tanto sucesso não existe mais. Na minha opinião a banda só tem que entrar no estúdio quando realmente tiver vontade, não importa o tempo. Eu ainda estou tentando entender o lançamento do último álbum…

    1. Concordamos com você, Leandro. O Lightning Bolt realmente pareceu um álbum preguiçoso; bom, mas preguiçoso. E realmente, parece que a música não está se desenvolvendo tanto assim na mão dos 5, chegando quase pronta no estúdio (se bem que isso é difícil afirmar com certeza, claro… mas é o que parece).

  4. Respeito a opinião da galera aí em cima, mas o Lightning Bolt a cada dia que passa eu vejo que é uma obra de arte fudida que os caras lançaram… Mata a pau mesmo esse álbum! É coisarada!!

    Não lembro do Brendan O’Brien ter dado esta declaração dizendo que a banda estava desmotivada para gravar o Lightning Bolt…??? Mas, se tu dixxxx…

    Não tenho dúvida que o fato deles não estarem mais na coleira com uma grande gravadora seja o motivo maior (dentre outros) que faz a banda lançar um álbum quando eles querem, quando eles estão afim, quando não tem ninguém (gravadora, empresários e fãs) enchendo o saco deles… A banda passou a década de 90 inteira buscando por esta independência, busca essa que é praticamente (não é 100%) o sonho de toda banda de rock, mesmo quando a banda ainda é uma banda de garagem, com o intuito de primeiro assinar com uma grande gravadora para ganhar recursos e apoio nos mais variados sentidos, para depois criar a sua independência e bater asas sozinho (assim como foi com o Pearl Jam, o Queens of The Stone Age, o Sonic Youth, a Nação Zumbi, o Smashing Pumpkins e até com o Foo Fighters…, e deve ter mais banda ainda que eu não estou me lembrando no momento).

    E tem outra…, a banda hoje lança um álbum de estúdio prá quê? Prá 90% da população mundial baixar o álbum na Internet com uma qualidade ridícula (comparada com um vinil ou CD), sem pagar porcaria nenhuma pelo material, sem valorizar a obra física do álbum também, sem relevar que a banda literalmente fica despida expondo o seu espírito, alma, sentimentos, as suas intimidades e os seus segredos pessoais através de um gasto enorme de energia… Daí o cara baixa o álbum na Internet, escuta que nem como se estivesse escutando uma rádio, fazendo outras atividades que não tem nada a ver com a música, sem prestar a devida atenção, e o que acontece depois? Vai direto prá lixeira virtual, que nem papel amassado no lixo… Se a atitude dos fãs fossem diferentes, conforme era nas antiga quando não existia Internet ainda e os álbuns vendiam milhões, se a atitude dos fãs fossem corretas, eu creio que o lançamento de mais álbuns de estúdio iria aumentar de produtividade no mercado. Mas isso não acontece por enquanto porque o estímulo refletido nos fãs para a banda não é mais como era antigamente…, então, cade o retorno para que qualquer banda volte a se importar com isso? (lançamentos mais frequentes dos álbuns de estúdio). Portanto, depende muito também dos fãs para mudar esta história… E quem irá agradecer se essa utopia voltar a acontecer algum dia no Planeta Terra, é somente a própria banda que cada pessoa curte ou que sempre curtiu na sua vida inteira…

    Nunca vi alguém querer ficar andando de carro com 01 pneu furado ou com o freio de mão puxado, e ainda ficar cobrando algo a mais ou ficar decepcionado com o desempenho do seu carro…

    Os álbuns de estúdio não são mais tão assim lançados no mercado, porque nos tempos cibernéticos atuais a música é de graça! E quando algo é de graça, o sujeito não dá mais o seu merecido valor pela coisa…

    Para terminar, gostei da colocação do Chicão, muito boa mesmo… Só corrigindo o que você já deve saber, Chicão, referente aos 03 últimos álbuns que o Pearl Jam lançou, o Abacate veio antes do Backspacer, e não o Riot Act, belê?

  5. acho que ficou um pouco forçado a conta, o mais correto pra mim seria dividir assim.
    Ten – Binaural (6 discos)
    Riot Act – Lightning Bolt (4 Discos)

    e acho que está absolutamente normal a produtividade deles, nem lançam material demais nem de menos. e todas as bandas nos primeiros 5 anos de carreira costumam lançar vários discos em sequencia e depois diminuem o ritmo.

  6. Mais do que a quantidade, qualidade. Eu acho que desde o Abacate eles tão devendo um disco de impacto, digno do potencial da banda. Por melhores que sejam Backspacer e LB eles são discos “comuns” demais… Eu acho que eles podem mais do que isso.

  7. Não, não foi isso por isso que os discos novos começaram a rarear. Foi por causa dele. Eddie Vedder. Ele é o líder da banda e dita o ritmo de trabalho do grupo. Até 2002 o ritmo era de 1 album a cada 2 anos. Vedder casou, teve filhos e se viu gostando desse negócio de paternidade, nisso arrastou toda a banda junto. Pega o Dave Grohl por exemplo, também pai, mas no entanto não diminui o ritmo. E sua banda cheia de filhos também continua com ele, porque como Vedder ele é o líder da banda. Supremo líder aliás.

    Vedder disse na época no LB que quando o processo de gravação termina sente um alívio, tipo dever cumprido, isso mostra que não está sendo fácil pra ele ultimamente fazer música. Os filhotes estão tomando seu tempo “é o sacrificio pra ser um bom pai”.

    Esse negócio de pressão da gravadora não tem nada a ver. O que se deve atentar também é que os ciclos vão se alternando. Até os anos 80 muitos grupos lançavam um album por ano. Nos anos 90 começou ano sim, ano não. Hoje em dia a média é 3 anos entre a maioria das bandas. Algumas tem mais gás, como o Arctic Monkeys, mas a maioria está nessa média.

    1. “Vedder disse na época no LB que quando o processo de gravação termina sente um alívio, tipo dever cumprido, isso mostra que não está sendo fácil pra ele ultimamente fazer música.”
      Qualquer projeto na nossa vida dá essa sensação, por mais que gostemos do que fazemos.
      Sou fotografo e tenho vários projetos, bem como exposições. Adoro fazer isso. Mas sempre que termino fico com a sensação de alivio e dever cumprido. O alivio é por ter dado tudo certo e não pq isso nos incomoda.

  8. Amei o txt e os comentários são tops. Ninguém agride ninguém. Amo isso nos fãs de PJ.Por mais que saibamos sobre a banda..sempre tem muito a saber.E isso eh passado de forma simples e …para quem entende mt de PJ como eu..tanto o site qnt os o coments sao oásis de
    conhecimento em um mundo de boatos.
    fatos que compactuo e aprender

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