Entrevista com Stone Gossard

MI0001335086 O Stone deu uma entrevista para Keith Cameron, jornalista inglês, comentando sobre o processo criativo da banda. A PJ2Fly traduziu a entrevista e traz na íntegra para todos. Para ler a matéria original, clique aqui.

O Green River foi formado no verão de 1984, o que significa que, contando o Mother Love Bone e o Pearl Jam, você e o Jeff Ament tem tocado juntos por 30 anos. A motivação para fazer isso continua a mesma?

Eu acho que sim! Nós falamos disso o tempo todo, nossa empolgação por escrever músicas e ainda descobrir coisas sobre os instrumentos ou conseguir um riff que é diferente de tudo que fizemos antes. Ou aparecer com uma letra ou tentar entender como a música pop funciona e por que esse é o mistério infinito da simplicidade: os mesmos acordes, há uma variedade limitada de acordes, cerca de 12, com algumas variações…Por que com isso ainda existem coisas que, hoje em dia, soam tão boas? Isso entriga e te faz sentir empolgado sobre o processo. Falando sobre o aniversário de 30 anos do Green River: Provavelmente eu comecei a tocar guitarra apenas 6 meses antes de entrar pro Green River, então é como se fosse ‘pegue um instrumento e faça alguma coisa com ele!’ tem sido o que nós sempre fazemos. Nós não entendemos a música sob um ponto de vista virtuoso, e tem muitas coisas interessantes sobre isso…. Os que tocam melhor são os que conseguem entender a simplicidade e a complexidade ao mesmo tempo. Mas eu acho que para dois caras como o Jeff e eu que não tem um talento musical massivo mas são empolgados sobre a arte e o processo sobre descobrir as coisas por sua própria natureza de achar a sua própria voz, o seu próprio estuilo que cresce em algo, isso ainda nos fascina e nos motiva.

O Pearl Jam é melhor agora do que sempre foi por que nós continuamos com nossa intennção original em termos de como fazer as coisas como uma banda, tentando compartilhar as coisas ao máximo como fazemos, acreditando que esmo que você não esteaja em seu ápice de composição você pode melhor e achar seu próprio estilo do longo do tempo. Todas essas coisas ainda são verdadeiras. Nós nos olhamos no palco e gostamos. Isso é incrível. Como é possível que fãs jovens, que ainda estão começando a gostar da bnda e que estão olhando nossa discografia e descobrindo coisas que gostam, ou mesmo para nós, como podemos voltar no tempo e tocar músicas escritas há 10, 15 ou 20 anos atrás e que nunca foram tocada? Existem muitas oportunidades para renovação e descoberta.

Vocês são indivíduos com opinião forte que nem sempre concordam sobre o que fazer e como fazer. Ainda assim, a banda tem sobrevidido. Provavelmente vocês aprenderam a trabalhar coletivamente?

Eu acho que sim e não é sempre a mesma dinâmica. Ela muda e o potencial das pessoas muda. Existe uma alquimia que você nunca entenderá completamente e em que você precisa acredidar nesse processo incerto de ir todo dia quando você faz algo ou toca algo e diz “Certo, vou colocar minha fé nisso e fazer uma sugestão quando for ajudar. Você precisa saber quando deve falar algo e quando deve ficar calado. Isso é o ideal: achar este equilíbrio. Mas a longo prazo todo mundo tenta isso, geralmente falando – isto nunca é perfeito – mas se há tentativas gerais em direção a isso a longo prazo você desenvolve uma linguagem que é o próprio mecanismo de criação da banda. Foi isso que aconteceu. Nós estamos junyos há tanto tempo que hoje podemos colher os benefícios desta relação um com os outros e ter uma perspectiva sobre como é possível gostar disso e permanecer. Estou contente que continuamos juntos.

Como qualquer relação a longo prazo, isso tem altos e baixos…

Absolutamnte. E as vezes pode não ter nada acontecendo em certo período na banda, até que alguém acorda e diz: ‘Eu vou mudar isso…’ e então coisas gloriosas podem sair de alguém dizendo: ‘eu não vou mais seguir por essa direção, farei um processo diferente’. Não há nada de errado nisso. Mas a nossa banda tem sido teimosa e insistente em dizer: “Não, nós vamos continuar fazendo isso”. Houve momentos em que isso não nos beneficiou. Em alguns momentos estagnamos e momentos em que seria bom alguém chegar e dizer ‘Não, tente dessa forma’, o que não eramos capazes de fazer. Mas ao longo prazo, nossa teimosia e persistência valeu a pena no sentido de que agora estamos melhor a desafiar-nos internamente. Voltando no tempo e a pensar nas canções que eu odiava: ‘Oh, esta música não é uma música Pearl Jam’, e então simplesmente amá-la 10 anos depois é como pensar ‘Deus, eu estava em um estado de espírito de merda por que eu não estava no comando de alguma faixa ou queria que algo fosse diferente’. Eu tinha uma noção predisposta de como me sentia sobre isso. Todos na banda passaram por momentos como esse, em que ‘eu não estou feliz hoje’. Mas você não pode ser feliz todos os dias! E todo mundo que começa uma banda sabe que haverá um novo conjunto de personalidades e problemas, e todo mundo que acha que pode sair e fazer as coisas por si só e ter o mesmo momento é algo…..Sabe, o Ed é tão bom em fazer e geral energia por si só que ele vai e faz shows solo, mas eu acho que em alguns momentos das suas turnês solo ele pensa: ‘Ahh, estou animado em voltar para minha banda, justamente é por que esses rostos que vejo aqui e essa energia que recebo da história e da discografia e da resposta do público, é ainda evidente’.

Olhando em retrospecto, o No Code, um registro de confusão no momento, parece ter sido crucial para o desenvolvimento da banda que vemos agora.

Sim, eu acho que o Vitalogy foi com certeza um período no qual o Eddie desenvolveu mais e tomou o controle das composições. A simplicidade desse trabalho, nós apenas derrubamos sua essência. Tinhamos acabado de fazer o Vs, o que foi o protótipo do pensamento: ‘Ok, isto é como vamos ser uma banda, eu sei como isso vai funcionar’. E então o Vitalogy foi muito diferente daquilo. Muito menos articulado com as guitarras e muito mais simplista. Eu estava preocupado com isso. Esse registro tinha uma vida própria. E depois, o fato do Dave Abbruzzese não estar mais na banda e termos um novo baterista… O baterista é fundamental para a forma como você interage com os outros e nós estavamos ainda aprendendo uma nova linguagem, estavamos tocando rápido e soltos no estúdio. Nós não passamos muito tempo fazendo arranjos, e o No Code reflete isso. Em algum ponto, o Vitalogy também. Não não tocamos tanto esse material antes de lançarmos. E talvez algumas daquelas faixas não são tão boas quanto poderiam ter sido. Mas olhando agora, ele tem uma crueza que faz com que você pense: ‘Ok, ele não soa como eles ficando oito meses em um estúdio em Versailles, fazendo coisas em excesso e gastando muito dinheiro por que são estrelas do rock…’. Então, eu concordo, que o No Code é fundamental e há um novo território que abrimos nesse sentido. Acho que o Jack Irons foi um ingrediente chave para como o álbum foi concebido. Certamente, a sua personalidade ajudou.

Você precisa estar com tudo certo, tudo no lugar, para garantir que não fará uma música e uma turnê sem tanto interesse?

Sim. A turnê não é algo que faremos ao longo de um ano inteiro. Nossas turnês duram três ou quatro semanas no máximo, e fazemos somente no máximo três delas por ano. Então, se você está em turnê por 12 ou 14 semanas num ano, das 52 que tem, comparado com muitas situações você ainda tem tempo de estar em casa por um longo período para recuperar as energias e fazer mais coisas. Nós continuamos conversando sobre como queremos gravar, como queremos mudar as coisas.  É uma maneira de se abordar uma gravação e que é diferente. Tem sido provado para nós que podemos arriscar e ela funciona no longo prazo, mesmo que no curto prazo não sintamos que conseguimos o que queríamos fazer. Acho que estamos confiantes de que a natureza da nossa banda e a natureza da relação com nossos fãs está bastante segura agora. Eles vão nos apreciar, e eu acho que nós temos que seguir com isso e fazê-lo, e não fazer os mesmos tipos de discos. Temos que continuar a tentar fazer algo diferente. Isso fica mais desafiador quanto mais você envelhece, porque quanto mais tempo você tem feito um processo mais difícil é dizer: ‘Vamos fazê-lo de forma totalmente diferente – vamos dividi-la, o que podemos fazer para nos lançar em uma nova dinâmica.’ Quando você faz o seu resgate emocional, sabe? Você pensa em gravações que tiveram íncios estranhos e que eram talvez até mesmo frustrantes para ouvir como um fã Stones, mas você a ouve agora e é como, Deus, resgate emocional! Gravações que foram talvez um desafio, mas no longo prazo, eles fazem algo para você, como Achtung Baby (álbum do U2) ou algo parecido, onde eles mudam de marcha em uma forma que é dramática.

Os setlists são um esforço de toda a banda?

De maneira geral, o Eddie faz os setlists. Ele é o único que tenta ligar as histórias. Ele é o único que mais intimamente interage com o público. Ele tem o melhor sentimento para um desafio em particular. Mas ele sempre traz um setlist prévio e então tira uma ou duas músicas fora e adiciona algumas coisas. Então, ao longo da noite, ele sempre troca pelo menos uma música e então nós adicionamos uma ou duas em diferentes posições do setlist. E eu acho que ele tem sido muito melhor nisso. É a tentativa de achar o equilíbro entre músicas que são infalíveis e que toda a plateia conhece contra músicas mais obscuras que cerca de apenas um quarto da plateia gosta e que as outras pessoas dizem: “eu nunca ouvi isso antes, sobre o que é?”. Sendo um frequentador de shows, eu sei que a sensação de ir a um concerto esperando ouvir uma música e não a ouvi-la é algo ‘Droga…’, mas é bom também ser introduzido a uma música nunca ouvida antes. Com nossos fãs há um desejo profundo de ouvir nossas canções mais obscuras, então mesmo não conhecendo a música você pode ser energizado pelas pessoas ao seu redor que a conhecem e dizem: “ai meu deus, eles não tocam essa canção há seis anos” ou algo “eles estragaram o segundo verso, mas foi algo engraçado…”. Então tudo isso se tornou parte de nossa linguagem.

Você já olhou um setlist do Eddie e pensou: ‘hã?’

O setlist é produzido as vezes cinco minutos antes do show e sempre tem umas duas músicas que não temos tocado dentre as músicas que ensaiamos. Nós temos 5 ensaios antes de sair pra turnê, e ensaiamos cerca de 50 musicas e ele coloca uma que não é uma dessas 50 músicas. E você fica tipo: ‘Ok, eu consigo fazer isso’. Ou você fica tipo: ‘vamos pular essa hoje, vamos tocá-la antes numa passagem de som e então a tocamos amanhã’. Ele é muito flexível. Mas você quer escolher suas batalhas. E eu acho que discutir sobre um setlist é uma das coisas que você poderia fazer a cada dia, se você quisesse. O que você não toca hoje, você vai tocar daqui a dois dias. Apenas afivele seu cinto de segurança e cale a boca.

Vocês tem algum ritual pré-show?

Nós tentamos ao menos apertar as mãos uns dos outros antes de ir para o palco e dizer “Ei, cara, tenha uma boa (performance)”. Eu acho que essa é uma das coisas que, conforme você envelhece, uma vez que você está no palco, os deuses definem como será e o que vai acontecer. Suba ao palco com uma boa energia com seus colegas de banda e isso é a melhor coisa que você pode fazer. Nós tivemos muitos shows onde demos uns aos outros vários abraços e sorrisos e quando subimos ao palco tudo foi uma droga. Isso não ajuda.

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3 comentários em “Entrevista com Stone Gossard”

  1. Obrigado pela tradução também! Sempre que tiver alguma notícia sobre a banda ou alguma entrevista, ambas em inglês, vocês poderiam fazer a gentileza de traduzi-las na íntegra sempre… Só colocar o link para que os fãs acessem a matéria original em inglês ou traduzir parcialmente a notícia, não dá a mesma instiga mesmo que a pessoa leia toda a matéria em inglês também… É somente uma sugestão, ok?

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