Opinião: O problema dos fãs do Pearl Jam e de todas as bandas do mundo

pearljam_01

“As vezes as pessoas te elevam. Quer você queira, quer não”

-Eddie Vedder em 1994.

Fãs, em geral, são mais do que apreciadores de música. Além de apreciar a música que consideram boa, investem tempo procurando novidades, informações, colecionando material exclusivo e seguindo seu artista favorito em vários shows. Alguns extrapolam este quesito e ainda acham que poderão casar, ter filhos ou outros tipos de relação com as pessoas que são hábeis em realizar uma única coisa em especial: arte. Assim como o foram Da Vinci, Van Gogh, Bach, Vivaldi, Carmen Miranda, Jack Nicholson e tantos outros. A arte possui o papel de inspirar, formar opinião, abrir os olhos para uma realidade diferente que nunca havíamos pensado. Ou seja, a arte transforma e revoluciona, tudo à sua época, tudo ao seu jeito. E por revolucionar e transformar, a arte sofre as consequências e grande influência do meio em que os artistas vivem.

O grande problema da relação fãs versus ídolos é quando os fãs sentem-se donos dos ídolos e que estes últimos devem ser subordinados à sua vontade. Alguns alegam, inclusive, que é uma obrigação devido ao fato de que ‘se não fosse os fãs vocês não estariam aí’. O fã fica o dia todo na frente do hotel e ninguém desce, ninguém é visto, e aí começa o burburinho de reclamação. É claro, cada um quer algo do seu jeito, mas exigir isso de uma pessoa parece ser errado. E é daí que nascem conflitos e opiniões erradas. O que me motivou a escrever este texto foi esta notícia. Alguns fãs de Forest Hills fizeram uma vaquinha para levar à banda para tocar em um estádio de lá. A quantia erguida foi de 139 mil dólares! A ideia parece boa? Sim, é excelente. Mas qual foi o problema? A banda agradeceu, mas disse que provavelmente o show não acontecerá. Era o que bastava para que centenas de pessoas criticassem a atitude do Pearl Jam em se negar a tocar lá depois de tanto esforço dos fãs para levantar o dinheiro. O problema é que muitos fãs não se conformam com a ideia dos ídolos não seguirem os seus desejos pessoais. Nós mesmos nos incluímos nessa: reclamamos diversas vezes aqui do comportamento dos nossos ídolos, no caso o Pearl Jam, com relação aos últimos trabalhos, últimas ações comerciais, etc… Quem nos acompanha sabe.

Mas algo que comecei a me questionar nos últimos meses é: até onde temos esse direito e qual é a obrigação (se é que existe alguma) do artista com seus fãs. Levei cerca de 7 meses pensando em algumas coisas que só agora coloco no papel e que foram desencadeadas pelos comportamentos destas pessoas relacionadas à campanha. Existe uma linha tênue entre todas as relações de fãs com seus ídolos. Uma linha que pode ser facilmente ultrapassada saindo do modo ‘educação’ para o modo ‘exagero’. Do modo ‘respeito’ para o modo ‘foda-se você, sou seu fã e você é obrigado a fazer o que quero’. Talvez por isso tenhamos visto ao longo da história situações de confronto físico e intelectual entre artistas e seus fãs. E talvez essa foi a grande jogada do Pearl Jam: não deixar que isso fosse criado, interromper todo tipo de contato para não sofrer as consequências. Até hoje isso é assim. O Pearl Jam segue uma lógica comercial (por mais triste que seja essa afirmação para alguns fãs, ela é verdade) e fará shows onde as pessoas paguem (e paguem mais), principalmente devido à grandes produtoras que tem organizado suas apresentações.

O Pearl Jam não está vindo ao Brasil por motivos de interesse dos membros em tocar para os brasileiros. Por isso o Pearl Jam nunca tocará em locais muito diferentes de onde tocou anteriormente, isto é, no Nordeste e Norte. Por este motivo só teremos shows em Estádios grandes no Brasil, para mais de 40 mil pessoas. É errado? É viável criticar? Não e não, pois é um direito deles escolherem. E é um dever nosso respeitar.

É interessante compreender hoje o que a arte e quem a faz nos proporciona: que essa relação não é mandada por ninguém e que, quem acha que os ídolos dependem dos fãs está enganado, pois no fundo o que ocorre é o oposto. Pense num mundo sem tudo isso. O Pearl Jam mudou a vida de todo mundo que está lendo esse texto?  Se você dedica seu tempo para entrar aqui e ler esse texto, possivelmente sim. E tudo isso foi possível devido à sua música e as suas ideias. Assim como para tantos outros artistas que revolucionaram a história da humanidade. Contudo, o instrumento pelo qual essas pessoas chegaram até nós é que devem ser venerados, e não elas propriamente. Escrevo isso por que simplesmente consigo, hoje, entender a frase mais marcante de toda a história da música pra mim, a qual não é proveniente de nenhuma música. ‘Ame a música, e não o músico’, disse uma vez Eddie Vedder. Obviamente e de maneira irônica, tinha que ser algo do Pearl Jam.

Por Luiz H. Varzinczak

Anúncios

15 thoughts on “Opinião: O problema dos fãs do Pearl Jam e de todas as bandas do mundo”

  1. Parabéns pelo texto Luiz! Concordo em quase tudo que vc escreveu, mas não dá pra concordar com o trecho “…Por isso o Pearl Jam nunca tocará em locais muito diferentes de onde tocou anteriormente, isto é, no Nordeste e Norte… É errado? É viável criticar? Não e não, pois é um direito deles escolherem.” Ele não escolhem, simplesmente optam pelas praças que os agentes conseguem fechar um cache mais atrativo. Basta algum empresário investir sete dígitos de U$$ para a banda tocar em Salvador ou Recife, por exemplo. Estão errados? Não.

  2. Não sei se é a palavra ideal falar que um músico/banda “Não depende dos fãs”.
    Assim como o oposto.
    Acho que é um casamento. Um depende do outro.
    Acho que sem fãs, não sei se um músico/banda conseguiria ter sucesso/$$$. Exemplo são vários de alguém que quer trilhar por esse caminho e não consegue, pois não tem ninguém que o aprecie, etc.
    Agora assim como tudo na vida, existe um limite. O fato de um músico/banda “depender” de seus fãs, não os dá o direito de o artista ter que se sujeitar a seus anseios e desejos.
    Daqui a pouco os fãs vão falar que coloca a comida na mesa dele (s), o carro na garagem dele (s), a roupa em seu armário e as passagens de férias, ou (absurdo) a mulher bonita que tiver são graças a eles. Etc.

  3. Você não conhece nada do Pearl Jam, pois muito ao contrário a banda se recusou desde o início a se submeter a grandes empresas que organizam shows, por respeito aos fâs e por respeito a prória banda que não se vê como umamercadoria. Texto muito ruim, só pesquisar sobre o que o Eddie Vedder sempre falou a respeito disso @@@@

  4. Fiquei de cara com o texto mesmo. Parabéns! Finalmente uma nova e recente parcela de fãs da banda estão “enxergando”, “descobrindo” o que a banda SEMPRE foi. Quem não consegue entender isso, POR FAVOR, fiquem lá na década de 90 escutando somente os 03 primeiros álbuns da banda, ok? Deixem a banda ser livre, mais do que sempre foi. Se o próximo álbum dos caras vierem somente músicas do tipo Pry To, Bugs, Aye Davanita, Stupid Mop, I’m Open, Red Dot, Push Me Pull Me, Arc e etc, grandes merda! Eles são felizes assim e quem quiser ir junto, vamos lá então. Agora, quem não quiser curtir, cai fora cara! Simplesmente, não vá ver os shows da banda (a não ser que a pessoa queira escutar só as músicas do Ten), não compre mais os novos álbuns e tenha a decência de não ficar falando mal da banda, já que o cara não curte esta “fase atual” deles, porque se incomodar e perder tempo em ficar falando mal da banda? Aproveita, e vai falar bem das bandas que a pessoa gosta, cara! Quando o Pearl Jam deixou de fazer parte do mainstream logo depois que a turnê do Ten havia acabado, ALI eles já deram o recado para o seu público: “vocês querem nos escutar e ir aos nossos shows? Então venham e descubram o material da banda, porque a banda não irá de encontro a esses fãs casuais de momento”. Então, cai fora velho, vá curtir outras bandas ou então fica lá no casulo dos anos 90, que com certeza quem pensa assim usava fraldas nos anos 90 ou nem era nascido ainda (se bem que tem alguns marmanjos que pensam assim também) e estão esperando até hoje o Pearl Jam lançar um novo Ten. Deixem os caras lançarem 01 álbum a cada 04 anos, fazerem shows aonde eles quiserem fazer e quando quiserem… E lembrando novamente: a posição da banda SEMPRE foi essa! Não sabiam disso ainda?

    Gostei da colocação de que a banda “segue uma lógica comercial”. Isso mesmo, a essência da banda continua a mesma, apesar dos anos que se passaram, da questão deles terem se tornados pais de família, o mundo hoje ser diferente do que era antes, da banda ter se desvinculado de uma grande gravadora para se tornar mais independente do que sempre foi e, principalmente, pelo fato de que o século atual não é mais a década de 90. Então, sim, eles seguem a lógica comercial deles (e não a dos outros ou do mainstream), que vai se moldando conforme o passar dos tempos…

    Agora, se alguém se sentiu ofendido, me desculpe, é somente a minha mísera opinião e eu respeito a de todos. Mas para essas pessoas eu creio que elas estão incluídas, conforme o texto disse, naqueles “fãs que sentem-se donos dos ídolos e que estes últimos devem ser subordinados à sua vontade”.

  5. A relação entre fã e banda se da ali, entre o palco e a plateia. Essa interação é a que conta, e nisso o Pearl Jam vai muito bem obrigado. Sou fã em menor grau de outras bandas, como o soundgarden, Iron Maiden e dream theater, e todas, já calejadas, seguem um estilo semelhante de “eu escolhi o local do show e dou minha vida no palco, faça sua parte e vá”, entenderam?

    Uma vez ou outra, fazer um show num local pequeno, no interior, pode até rolar, mas existe uma equipe de profissionais que recebem salário, e tem que haver retorno.

    Façamos um paralelo.. Você com vinte e poucos anos, pouca responsabilidade e cheio de energia, ao procurar emprego você pega qualquer um, às vezes cai numa cilada… Mas os anos passam, você estuda, vai melhorando de emprego e quinze, vinte anos depois se casa, tem filhos,torna um coordenador/diretor/patrão… E aí? Vai pegar a rabuda de 20 anos atrás sem necessidade?

    Façam uma analogia com todas essas bandas que se tornaram grandes e verá que estão quase todos nessa fase

  6. O problema não é o Fã….. o problema é o HUMANO!

    Nossa espécie é possessiva e egoísta, onde o centro do universo é e sempre foi nós mesmos.

    Quando alguém não faz algo que queremos, é sempre a mesma história de mimimi e num caso como esse de Fãs que são contrariados o negócio fica ainda pior já que tem muito babaca que age como no texto do Luiz.

    Pra encerrar…. “Quando não houver mais ninguém, será um belo dia”

  7. Bobagem as pessoaa pensarem que PJ eh totalmente maleável e diferente de outras bandas. Eles ,tal como eu, temos que sobreviver de alguma forma. A diferença está no que eles se propuseram. Têm ONGs,participam de eventos beneficentes e no mais fazem muitoooo sucesso e inevitavel que nao tenham uma grande fortuna. Sao simples? Sao. Muito. Reservados ate. Mas ninguem joga às traças o fruto de mto suor…noites sem dormir…dias, meses fora de casa. Vida social de acordo com a

  8. Continuacao: a fama. Pagam um preço muito alto por isso. N têm privacidade para nada e ainda tem que ser bonzinhos demais com a gente? Claro que nao. O que sao comercialmente tampouco faz diferença. O que eles sao pra mim eh o q importa. Essa banda me salva em diversos momentos. Sou grata. Eternamente. Nao tenho o que reclamar. Nunca. Jamais.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s