Opinião: 15 Anos da Tragédia no Roskilde Festival – O que o Pearl Jam Desaprendeu e o que nós, Público, Devemos Aprender

- DANMARK - ÅRTIET I BILLEDER - Roskilde Festival i 2000 endte i en tragedie. Ni mennesker blev mast ihjel foran Orange Scene under en koncert med Pearl Jam.

Dia 30 de Junho completou-se 15 anos da tragédia no festival de Roskilde, na Dinamarca. O Pearl Jam tocava “Daughter” quando um tumulto se iniciou e 9 pessoas morreram esmagadas/pisoteadas, em uma situação que parecia inacreditável, que nunca aconteceria em um show de rock. A banda olhava perplexa para o ocorrido, e podemos ver em imagens do filme “PJ20” um Eddie Vedder absolutamente transtornado com o que viu.

Depois desse infeliz acontecimento a banda quase acabou, segundo depoimentos dos membros do próprio Pearl Jam, mas, felizmente, isso não ocorreu, e o que vemos em seguida é o renascimento de uma nova banda, muito mais preocupada com a segurança dos fãs e decidida a não tocar mais em festivais. Os shows da banda passaram a ter algumas divisórias a mais, tentando evitar que se juntassem grandes aglomerações de pessoas; e pra quem ouve os boots oficiais dos shows, é uma constante – principalmente em shows na Europa e América do Sul – ouvirmos o Eddie pedindo que o público desse três passos para trás, tentando evitar possíveis tumultos.

Mas aonde queremos chegar?

Infelizmente, como acontece com a gente e com a maioria das pessoas, esquecemos dos problemas e a situação “esfria”, o trauma pode permanecer, mas é amainado pelo tempo, e é isso, na nossa opinião, que aconteceu com o Pearl Jam a respeito dessas questões de segurança em shows, cuidado com o público, etc.

A banda passou a tocar em festivais, ficando sem muito controle sobre a organização da segurança que, por sua vez, fica a cargo dos organizadores do evento. Até aqui tudo bem, visto que a segurança melhorou muito nesse tipo de show, principalmente depois do que aconteceu em Roskilde.

Mas o problema central dessa relação está, vejam só, na turnê que o Pearl Jam fará em Novembro na américa latina. Já fomos em diversos shows aqui no Brasil, e a cena que se repete é sempre a mesma: pessoas esmagadas na frente do palco, outras desmaiando e tendo de ser retiradas por bombeiros, chegando ao cúmulo de vermos, durante o Lollapalooza uma garota de costas – pois não tinha espaço para se virar – esmagada nas grades “traseiras” da pista (parte daquela estrutura em T que estava na frente do palco) e apenas conseguindo levantar um dos braços para tirar algumas fotos.

Parte da “culpa” disso acontecer é do próprio público latino americano; nós aqui queremos ver (estou falando apenas na pista) desesperadamente a banda mais de perto, se apertando na frente e não ligando se estamos conseguindo ver o palco ou apenas um monte de cabeças e ombros das pessoas; nós somos mais fanáticos em “ver” a banda (muitas vezes mais do que “ouvir” a música), e é por isso que o Pearl Jam sempre gostou de tocar por essas bandas: nós somos barulhentos, apaixonados , passamos uma energia diferente para eles que estão lá no palco.

Mas a situação tem um lado negativo, e se dependermos da produção brasileira, teremos uma superlotação de pessoas e centenas esmagadas na frente do palco, sem nenhum tipo de controle para se evitar tragédias (que felizmente nunca aconteceram aqui no brasil em shows do Pearl Jam).

O que queremos dizer é que a banda (se não os membros, mas pelo menos pessoas próximas e eles) tem sim parte da responsabilidade na organização da segurança dos seus shows, tendo acesso prévio à mapas sobre como estará o organizado o palco, do número de pessoas em cada setor, etc. Infelizmente o que vemos, como dissemos acima, são centenas de pessoas esmagadas na frente do palco, passando mal e passando horas em pé, pois entram mais de 5 horas antes do início do shows.

É possível organizar melhor tudo, pois, acreditamos, cada show do Pearl Jam aqui no brasil é uma potencial bomba-relógio que pode explodir em algo muito ruim, fruto tanto do público que não respeita o espaço de cada um, quanto da organização do show (entrando aqui tanto a produção local quanto a da banda que faz o espetáculo).

Não vamos nem entrar no mérito da venda de ingressos; quem comprou, sabe dos preços abusivos e das estranhíssimas taxas cobradas, até mesmo para imprimir o ingresso em casa. Mas poderíamos esperar um pouco mais de preocupação do “Pearl Jam pós-Roskilde” com os fãs latino-americanos que, diferente do público americano, é mais assíduo e pode causar uma situação que saia do controle.

Como a situação não deve mudar muito para os shows em Novembro, esperamos ter a mesma sorte das últimas turnê que eles fizeram aqui, e que os problemas fiquem restritos a desmaios e desidratações.

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7 thoughts on “Opinião: 15 Anos da Tragédia no Roskilde Festival – O que o Pearl Jam Desaprendeu e o que nós, Público, Devemos Aprender”

  1. Texto perfeito. Em 2011, no primeiro show de SP, a pista estava tão caótica que pensei que se eu caísse, as pessoas ao redor nem iam perceber e eu seria pisoteada. Então decidi ir para trás, mas não vi nenhuma brecha por onde pudesse passar. Fiquei onde estava, mas só consegui ficar lá até o fim porque o setlist deu uma acalmada. E no Lolla eu também estava nessas grades traseiras e fiquei só nas pontas dos pés até pelo menos metade do show, tamanho era o aperto.
    A existência da pista premium é um abuso por si só e, pra piorar, o tamanho dessa área aqui em SP é gigantesca. Então de premium não tem porcaria nenhuma e serviu só pra roubar nosso dinheiro. Nesse ponto a banda e/ou quem cuida disso pra eles falhou absurdamente.

    1. Podem colocar 10, 10 mil ou 100 mil pessoas dentro de um maracanã, que “nego ainda vai conseguir esfregar o sovaco um na cara do outro”. No 1° show do EV em SP voltei com um hematoma na perna, porque fiquei imprensado entre as cadeiras no final, quando cada um da plateia decidiu ficar lá na frente.
      Eu acho que Roskilde foi um ponto fora da curva. Foram centenas de festivais como esse antes sem nenhum incidente dessa proporção, e mesmo se tomando todos os cuidados possíveis não acho que seja possível de se evitar totalmente esse tipo de coisa. Qualquer aglomeração de pessoas está sujeita a isso. Eu também não acho que a banda vem negligenciando a segurança dos fãs, simplesmente por colocar um público maior ou tocar em festivais. Eu acho que continuam exigindo os cuidados necessários, e até os não tão necessários assim, como por exemplo a pré-venda.

  2. Texto bastante alarmante, não é para tanto.
    Isso não acontece só nos shows do pearl jam…
    Consegui ficar na grade em todos os shows que fui aqui no Brasil e não sofri esmagamento.

  3. Confesso que eu morro de medo dessas situações, por isso nunca fico na grade (e tbm pq não tenho paciência de chegar de madrugada numa fila). Mesmo ficando atrás (quase no meio da pista) no show do Foo Fighters em janeiro, fui empurrada enquanto o povo abria a roda do mosh…até aí tudo bem, pq show de rock rola isso…mas é inevitável ficar meio desesperada e pensar no pior :O
    Espero que dia 14/11 seja susse e que o pessoal respeite o espaço alheio 🙂

  4. Acho que o público de shows do PJ já são de um nível diferente, claro que um ou outro pequeno acidente ocorrerá, afinal são milhares de pessoas, mas houve exagero exarcebado no texto em minha opinião.
    O que eles esqueceram é de caprichar nos preços, isso sim.
    Abs

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