Review: Pearl Jam em Porto Alegre

3

Cerca de 8 meses se passaram desde o anúncio de que o Pearl Jam de fato tocaria na América do Sul em 2015. E esses 8 meses passaram (felizmente) voando. É incrível perceber que se o Pearl Jam viesse todos os anos para o Brasil, a expectativa em torno dos shows sempre seria enorme. E não foi diferente em Porto Alegre. Evitei ao máximo ter contato com o que ocorreu em Santiago e Buenos Aires. Não vi nenhum vídeo e vi o setlist por cima pra atualizar o site. Queria manter a calma, sem ter expectativas grandes e sem pensar que alguma música poderia deixar de ser tocada por ser sido nos primeiros shows.

Em primeiro lugar, seria impossível iniciar uma breve review das minhas impressões do show sem considerar o estádio. A Arena do Grêmio chama atenção por sua estrutura: aconchegante, bonita e compacta, características excelentes que favorecem a realização de um grande show. Não entrarei em detalhes de organização, a qual sempre deixa a desejar. Talvez minha surpresa tenha sido alguns locais do estádio estarem vazios e a pista premium e normal terem exatamente o mesmo tamanho, o que dificultou bastante por tornar o palco mais longe pra quem optou pela segunda. Indo para o que interessa, foram cerca de 4 horas e meia de espera dentro do estádio, das quais meia hora passou rápido devido a boa apresentação da Wannabe Jalva. Mas o mais interessante é notar que show do Pearl Jam começou por volta das 19 horas quando era possível ver alguns roadies conhecidos afinando os instrumentos e o público tentando adivinhar quais músicas seriam tocadas. Pra mim, o grande ápice foi ver o roadie do Mike afinando a guitarra dupla. Essa imagem e o fato de terem tocado Inside Job, a minha música favorita do abacate, no soundcheck do dia anterior aumentava a expectativa em torno do show. No ingresso, o horário do show constava 20:30, mas levou 28 minutos à mais até as batidas de Master Slave começarem a ecoar pelo excelente sistema de som (excelente pelo menos no ponto onde eu estava). E tudo começou novamente, com um grande filme passando pela cabeça como em todas as outras vezes que vi o Pearl Jam ao vivo. Alegria e emoção por ver frente a frente, depois de 2 anos e meio, a banda que mais admiro e acompanho e que sem sombra de dúvidas mudou minha visão sobre a música. E então, como esperado, Pendulum iniciou a turnê brasileira, fazendo tremer o chão da Arena e provocando um vazio arrepiante dentro do peito, algo de dar frio na barriga. Para quem ainda não havia visto um show da turnê do Lightning Bolt, como no meu caso, esse momento deve ter sido único. Na sequência, impossível não se emocionar ao ouvir Release, sempre bela, perfeita e profunda. A sequência inicial, fechando com Small Town deu a falsa impressão de um show calmo. Porém, a sequência Mind Your Manners e Animal mostrou o vigor da banda e, principalmente, da voz do Ed. Aliás, este foi um ponto que me surpreendeu: do pouco que soube dos primeiros shows,havia lido pessoas comentando que a voz dele não estava 100%.

Os grandes destaques sem sombra de dúvidas foram as músicas do Lightning Bolt, uma vez que é a turnê de divulgação do disco, e algumas preciosidades. Vou pular todas e comentar primeiro a mais interessante: Comfortably Numb. Depois do Pearl Jam, o Pink Floyd é a banda que mais admiro e pela qual tenho profundo interesse. Poder ouvir uma fazendo cover da outra, ainda mais de uma música tão marcante e importante, é como fundir as duas em uma só, algo que já havia acontecido com Mother. Momento único, momento incrível e momento histórico. Eddie fazendo a voz que seria tanto do Roger Waters tanto do David Gilmour, mudando o tom com uma facilidade que mostra por que é um dos melhores vocalistas da história. O Mike solando perfeitamente, da mesma forma profunda e irreverente que ouço há vários anos quando escuto a versão original do Floyd com o Gilmour. O solo do Mike foi tão incrível, perfeito e paralisante que perdi a oportunidade de olhar para o palco e para o telão para ver ao vivo o Eddie tocando piano com a banda. Difícil escolher para onde olhar com tantas coisas incríveis acontecendo simultaneamente. Não teve Inside Job (talvez role em São Paulo!?). Contudo, ainda pude acompanhar Hard to Imagine, I got Shit, Glorified G e Faithfull, outros sonhos que pareciam distantes e que estavam sendo tocados ali, em minha frente. De fato, ‘it is hard to imagine’. Ainda foi possível ouvir o Ed dando mais uma vez sua opinião em relação ao porte de armas ao dizer, antes de Glorified G: ‘mais guitarras, menos armas’.

De certa forma, tudo se completou naquela noite: Mike McCready distribuindo sua energia para todos, correndo e dando voltas no palco; Stone Gossard animado e pulando ao longo da tradicional jam em Porch, mexendo e empurrando as bolas com luzes, as quais quase derrubaram seu pedestal; Jeff Ament tocando ao lado do Boom, brincando de desviar das bolas e abrindo um champagne no final como uma celebração por um show incrível; Matt Cameron, sempre com sua energia, incansável e com seu sorriso simpático; e é claro, o Eddie, com seu senso de humor mostrando mais vez que um rockstar pode ser bom naquilo que faz sem ser um estúpido e grosso com seu público. É por isso que o Pearl Jam continuará por muito tempo lotando arenas e estádios ao redor do mundo como uma das maiores bandas da história. Pra não dizer que fã só elogia, talvez o único ponto negativo é Binaural, Riot Act, Abacate e Backspacer terem sido totalmente negligenciados no show. Músicas destes álbuns poderiam abrilhantar ainda mais o que foi uma noite perfeita do começo ao fim. Tristemente, quase 2 dias depois do show, ainda me pego pensando que que Thin Air e Leash foram riscadas do setlist. Coisas do Pearl Jam… Por fim, mas não menos importante, é ter ouvido Fuckin Up, meu cover favorito, para encerrar de forma espetacular aquela noite após 3 horas de show. Agora, só consigo pensar em uma coisa: que venha o próximo!

  • Luiz H. Varzinczak
Anúncios

10 thoughts on “Review: Pearl Jam em Porto Alegre”

  1. Ótimo texto! Deu pra experimentar um pouco da emoção que eu devo sentir daqui a exatamente uma semana, aqui em BH.
    O relato foi tão bom que me inspirou a escrever sobre essa expectativa também e aproveitar pra agradecer a vocês.
    Antes do anúncio da turnê, conhecia poucas coisas sobre o PJ, ia pouco além dos clássicos. A minha proximidade com banda tinha muito a ver com meu namorado, que é fã e tem a coleção dos CDs. A minha alegria quando anunciaram a turnê foi saber que ele ficaria feliz em ver a banda preferida na nossa cidade pela primeira vez e isso me deixou super empolgada. Foram dias enormes de angústia acompanhando o twitter do Flesch até finalmente confirmarem que eles viriam para BH. E a boa notícia veio. Vi a notícia dentro do ônibus, sozinha – e me deu uma enorme vontade de gritar e não podia – então na mesma hora liguei pra ele e contei e pude perceber que ele ficou bem contente.
    Desde então, me empenhei em conhecer melhor o PJ pra poder aproveitar ao máximo o show, que também será o meu primeiro grande show internacional. Já conhecia o Ten praticamente todo e pelo menos duas músicas de cada disco. Fazia estágio num site de letras de músicas na época do anúncio e aproveitei pra ouvir um pouco do LB, que tinha Sirens bombando e fui aos poucos conhecendo outras coisas.
    Nesse momento que vocês entraram! O primeiro site que li avisando sobre uma possível turnê da banda aqui foi o de vocês (um amigo havia compartilhado), então resolvi vasculhar um pouco mais. Li, li e li sem parar! Descobri histórias emocionantes por trás das canções, aprendi um pouco mais sobre os integrantes e também aprendi a admirá-los pelos seus trabalhos incríveis. A admiração pelo talento do Eddie (e pela beleza também, admito hihi) aumentou e agora é compartilhada com Jeff, Mike, Matt e Stone e suas trajetórias admiráveis.
    Comecei a ouvir muitas músicas deles a partir de análises de vocês e de comentários sobre antigos shows. “Inside Job” foi um exemplo. Li coisas sobre ela aqui e fiquei encantada. Quando prestei atenção na letra, fiquei mais ainda… cabia como uma luva no momento que eu estava vivendo.
    Comecei a perceber como as letras deles dizem tanto pra gente. Incrível como eu nunca tinha prestado atenção nisso antes! “Future Days” parece que foi feita pra mim e pro meu namorado. Essa sensação de empatia é a melhor coisa que uma música pode oferecer.
    De março pra cá, ouvir, ver e saber notícias do PJ tem sido uma das coisas que mais me animam. Descobrir os covers, os b-sides, os shows… tudo isso é empolgante demais! Pode parecer papo de recém-fã, mas nem ligo. O namorado brinca que já o superei e sou a maior fã que ele conhece. Bom, de fato esses meses de espera foram mais que suficientes para o Pearl Jam ganhar mais uma fã – que por sinal está ansiosíssima e colocando todo mundo louco de ansiedade também.
    Estou torcendo muito para que o show na capital mineira seja incrível (e tenho certeza que será) e que eu não demore muito tempo pra vê-los outra vez por aqui. Tenho certeza que assim que começar Pendulum meu coração vai disparar e o frio na barriga virá também!
    Obrigada pelo trabalho tão bacana que vocês da PJ2FLY fazem! Adoro os textos e estou sempre acompanhando vocês. Bons shows pra gente! Abraços mineiros!

    1. Mariana,

      Sua expectativa me lembra 2005 em Curitiba onde foi meu primeiro show.
      As pernas tremem, as lagrimas descem e a saliva fica presa na garganta.

      De la pra ca ja foram 8 shows somando 3 do eddie ano passado. Em SP sera meu nono e em BSB o decimo.

      Nao irei a BH mas torço para que vc aproveite bem. Depois apareca aqui novemente para descrever sua emoção.

  2. Muita massa a resenha e o comentário da Mariana lá em cima… É massa de ler essas coisas… Em Porto Alegre/2015 foi somente o meu 3º show, depois de 2005 e 2011 em Curitiba… Na fila conheci uma mina que era o show nº 45 dela, muito lôco! Altos papo…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s