Análise: God’s Dice

goddice

Dados de Deus / God’s Dice (para ler a letra no original, basta clicar aqui)

Letra: Jeff Ament 

Está fora do meu alcance fazer todas as mãos se encontrarem
Tropeço como um desmoronamento fora do alcance
Está nas cartas do destino
Sua sanidade em um reboque
Designe minha sorte
Resignado

Este poder não tem raízes para guiar, não tem nenhum papel
Confie em mim, mentes enferrujadas se recusam a ir
Resistência, é sem sentido
Partir em vão
Designe a minha vontade
Designe a minha vontade
Resignado

Minha vontade está se acabando, sinapses piscam lentamente
Ah, dias passando quadro a quadro, onde eles vão?
Por que lutar? Esqueça isto.
Não poderei gastar nada disso depois que eu partir?

Role-os pra valer
Jogue-os outra vez
Todos os dados de Deus

Um macaco dirigindo, chama isso de vida, ha ha ha
Muitos pensamentos, isso é um exagero, um buraco
Preste atenção, o que é meu não é seu
Vai acabar nos deixando de fora
Designe minha vida
Designe minha visão
Designe minha vontade, minha vontade, minha vontade
Resignado, meu deus

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ANÁLISE

God’d Dice é uma visão enigmática e aterradora de um suposto Deus – e de nós perante ele. A letra, em si, nos faz pensar na vasta e longínqua distância que existe entre o homem, a sua vontade, e este suposto Deus que a tudo é atribuído.

O homem, como ser insignificante, consegue encontrar respostas ou se satisfazer ao atribuir perguntas irrespondíveis a Deus, e nisso ele encontra conforto. Aceitando-se leigo e não disposto a fazer maiores perguntas, ele se sente confortável em crer que tudo esta em maiores mãos, fazendo-se assim satisfeito.

God’s Dice transparece esse pensamento em suas estrofes desde o inicio, falando em destino, fora das mãos e fora de alcance. Todas as metáforas usadas nos fazem pensar que o homem é irresponsável pelas ações do destino, independentemente de suas escolhas.

Logo em seguida as metáforas começam a rumar para o absoluto sarcasmo. Temos que acreditar em algo que não possui raiz, não tem nenhuma evidência de ser verdadeiramente legítimo (religião), mas devemos confiar, pois assim aprendemos e assim devemos regrar nossa vida.

‘Designar’ é a palavra perfeita para expor a temática de God’s Dice. Ela evidencia com absoluto sarcasmo o propósito do homem perante a total distância entre ele e Deus; ele apenas pede, em tom irônico, para ser designado, para ter alguém o designando, ou seja, para não estar no controle fazendo assim tudo ser mais fácil de ser compreendido. Dizendo ainda que resistir é em vão.

Logo em seguida a temática muda, e passa a expor um questionamento. Perante as regras que todos atribuem ao falar de Deus, a vontade do homem não conta. Muitas religiões tem a absurda demência de proibir inúmeras coisas ou vontades do homem. Quem nunca ouviu dizer que Rock é coisa do Diabo, por exemplo? É um exemplo clássico que se aplica aqui: a vontade do homem vai diminuindo, pois as supostas regras o limitam. Assim os dias vão passando quadro a quadro, iguais, sem o homem poder ter vontades, pois o poderoso Deus de alguma forma o irá castiga-lo (conforme incita a bíblia).

Então porque lutar? Lutar contra a suposta vontade de Deus é inútil, então esqueça. Ou leve uma vida regrada, ou não poderá colher os frutos depois. Mas que depois? Mais uma regra imposta pelo misticismo chamado Deus…

Enfim o já descrente, irônico e sarcástico homem finalmente evidencia sua posição. Tudo que supostamente esta nas “mãos de Deus”, como seu próprio destino, é tratado de maneira aleatória, como num jogo onde os dados são lançados à pura sorte, os dados de Deus (God’s Dice).

No final temos o ápice do sarcasmo em metáforas incrivelmente conduzidas, a primeira fala de um macaco dirigindo, em seguida o autor dá gargalhadas e pergunta se isso é vida. Somos todos macacos dirigindo. Somos treinados desde pequenos a seguir Deus e a sua suposta palavra, e nisso nós cremos ou somos coagidos a crer que deva ser nossa vida. E fazendo assim, seguindo esse Deus, entendemos que levamos uma vida boa, não importando nossas vontades e tudo mais, como foi dito anteriormente.

Logo depois vem a parte onde o homem fala de muitos pensamentos, o que é meu é seu, e vai acabar nos deixando de fora. Aqui as metáforas continuam de forma apimentada, citando regras, regras e mais regras. Regras impostas por aqueles que se dizem portadores da palavra de Deus, fazendo assim crescer ainda mais a infinita distância entre o homem e seu Deus. Afinal, o homem é feito de pecado, e por mais que seja um ser esforçado, é um pecador. E um pecador ou vive pedindo perdão a Deus, ou se afasta dele. Nas duas opções esse Deus está longe de qualquer forma. No final, o homem novamente entrega tudo a Deus: designe minha vida, designe minha visão, minha vontade, etc.

Qualquer que seja o rumo da vida desse homem, ele vai atribuir a Deus, a Deus e seus dados jogados à sorte. E por fim, sem esforço de tentar ser diferente, ele será resignado ao seu Deus.

Texto escrito por Cristiano Feix.

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