“Só o Amor Pode Mudar Tudo”: 1 Ano do Show que o PJ fez em São Paulo

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São Paulo 14/11/2015: só o amor pode curar tudo!

Aos 45 do segundo tempo resolvi ir ao show de São Paulo, no Morumbi, na turnê que aconteceu ano passado. E que decisão acertada tomei!

Depois da alforria que foi o Show de Porto Alegre na Arena do Grêmio, tendo, inclusive, o meu e-mail sendo lido pelo próprio Eddie Vedder, o que querer mais de um show do Pearl Jam?

A dúvida me ocorreu até uma semana antes do show de Porto Alegre, e, no fim, resolvi arriscar e viajar mais uns 1,5 mil quilômetros para assistir ao show de São Paulo. Entre meus amigos, esse era o show que carregava a menor expectativa de toda a turnê. Achávamos que o set seria ‘morno’ e bem conservador, por motivos nossos mesmo. E talvez até fosse ser. Porém, um dia antes, uma tragédia sem precedentes na história abalou o mundo da música, quando um grupo de terroristas abriu fogo na casa de shows Bataclan em pleno show do The Eagles of the Death Metal. 90 pessoas morreram.

Ao amanhecer do dia 14/11/2015, nos arredores do Morumbi, o assunto era só um, e um sentimento agonizante predominava na atmosfera. Não tínhamos como não desviar o pensamento para aquilo que havia acontecido. Pois como fãs do Pearl Jam, já havíamos sentido o gosto amargo da morte em um show de nossa banda favorita.

A tarde trouxe um calor escaldante, e o numero de pessoas foi aumentando vertiginosamente. Muito barulho na fila, drones sobrevoando os presentes (mais tarde entenderíamos o porquê), e eis que, por um momento, conseguimos escutar uma música dentro do estádio.

Era ‘Of the Earth’ que tocava.

Jamais consegui confirmar se aquilo foi realmente a passagem de som, ou se o sol bateu tão forte que me fez delirar. A única testemunha é minha memória.

As horas não passavam. E o sol judiava.
Santa grade que era disputada pelos seus centímetros de sombra…

Enfim, com o Morumbi praticamente lotado, eis que surge o Pearl Jam no palco!
Eddie empunhou sua guitarra, olhou para cima como se estivesse precisando de alguma bênção, deu um suspiro que todos os 60 mil presentes conseguiram perceber, e em um acorde em Ré maior começou a longa jornada que seria esse épico show.

‘Long Road’ foi escolhida para abrir. E sim, foi uma ocasião perfeita para essa música. Seguida de Of the Girl, e Love Boat Captain, o inicio do show de São Paulo já me queimara a língua em seus 10 primeiros minutos! Merkinball, Binaural e Riot Act estavam perfeitamente representados.

Eddie estava visivelmente nervoso, o que fez com que parte do público (inclusive eu) ficasse nervoso também. O show era uma mistura de sentimentos: um Eddie nervoso, um público em parte nervoso também, e, ainda por cima, uma grande tempestade se aproximava…

A sequência do setlist foi paulada atrás de paulada. Do The Evolution, Hail Hail, Why Go, Getaway, Mind Your Manners e uma furiosa versão de Deep fizeram o morumbi tremer!

Em Corduroy, um forte vento começou a bater contra o palco, e uma correria pode ser vista no backstage. Em Lightning Bolt – como se o destino estivesse delicadamente atento a todos os detalhes – um festival de raios era visto no céu negro do Morumbi. No meio da musica, uma torre de alto falantes despencou e o show teve de ser paralisado por alguns minutos.
A mistura de sentimentos seguia.

O palco chacoalhava intensamente quando Eddie surgiu com um violão, e acalmou os 60 mil presentes com uma versão acústica de Small Town. Eddie foi corajoso, pois realmente todo o palco se movia.
Nessa resenha quero deixar meus parabéns à equipe de montagem de palco que trabalhou no Morumbi. Vocês fizeram um serviço de primeira! Salvaram a noite! Um erro naquela montagem e teríamos uma tragédia tão grande quanto à do Bataclan!

A banda voltou para acender novamente o caldeirão chamado Morumbi com uma frenética versão de Even Flow. Logo em seguida, o Eddie pegou sua guitarra e os primeiros acordes de Come Back fizeram lágrimas descer em alguns presentes. Como é linda essa canção! Enfim, o Abacate estava devidamente representado também!

Swallowed whole foi uma grata surpresa naquela noite, ela funcionou muito bem. Enfim, Given to Fly! E nós descobrimos o porquê dos drones sobrevoando as filas! Eles estavam filmando os presentes e, durante Given, as imagens foram para os telões. Muito bem sacado!

Jeremy veio como um soco forte em cada um. Os b-sides são a parte que mais espero nos shows, porém os hits como Jeremy são os que levantam o estádio, é incrível ver todos cantando alto cada letra dessa canção de 25 anos. Em seguida veio o ápice do show pra mim…

Betterman.

Não é minha canção favorita, mas naquele dia algo surreal aconteceu. Quem estava lá sabe.
A canção fluía de maneira ‘normal’ a meu ver, e então, a tão desejada chuva veio nos refrescar! Como uma ‘ola’ a chuva atingiu primeiro a parte da frente do palco e logo veio avançando e cobrindo o estádio todo! Conforme ela vinha, os gritos iam aumentando e não houve um presente sequer que não se entusiasmou com aquele fato! Durante a música eu me virei e vi as arquibancadas pulando, as duas pistas pulando, foi algo que jamais vou esquecer!

Sem deixar o êxtase do público baixar, Rearviewmirror foi executada furiosamente antes de a banda fazer uma pequena parada.

Depois do encore, Footsteps deu um ar de melancolia e reflexão a todos, seguida de Imagine – e a mensagem de John Lennon para o Morumbi – e a bela Sirens, que fez o público novamente cantar à plenos pulmões! Um coral lindo no final deixou tudo mais perfeito ainda!

Antes de seguir o show, o Eddie ainda brincou dizendo “one more quiet”, e desferiu os acordes endiabrados de Whipping! Eu confesso que fiquei eufórico nessa hora, Whipping foi uma surpresa incrível no setlist!

Terminando Whipping veio outra baita surpresa: I am Mine. Eu fiquei surpreso com a recepção de I am Mine por parte do público, ela foi recebida como foi recebido Jeremy, Given to Fly, Betterman! Incrível o público daquele dia no Morumbi, sensacional mesmo!

Então, após I Am Mine, a banda excomungou toda sua raiva na intensa Blood! Jamais pensei que ouviria Deep e Blood naquela mesma noite, que sensação incrível Blood sendo executada ali na minha frente! Enfim Porch, e os presentes já começavam a sentir um gostinho de fim de show…

Na volta do encore, uma sequência de Comatose, State of love and trust e a sempre tocante Black embalaram o público. Luzes apagadas, um refletor em Stone… E tínhamos Alive para delírio de todos!

O público, sempre que pode, deu um espetáculo. Seja em Sirens, ou em Imagine com os celulares acesos, ou nas tags de Black e na interação que Alive traz… Mas foi em Rockin in The Free World que tudo ganhou ares de ‘’épicidade’’. O Pearl Jam nos levou até aquelas festinhas de escola quando éramos crianças com Rockin. É algo difícil de descrever, porém Rockin foi a música que fez o público dançar, interagir com o colega do lado, comemorar o momento. Foi algo inesquecível!

Yellow Ledbetter veio sempre linda e tocante, e nós começamos automaticamente a lembrar de todo o show desde o inicio… A banda se despediu, e um coro inquieto de “Pearl Jam” “Pearl Jam” por parte do público fez os caras voltarem e empunhar seus instrumentos novamente. All Along The Watchower foi um presente de ‘muito obrigado’ por parte da banda para com o público, que ‘segundo palavras do eddie’, fez aquele show se tornar possível mesmo com tudo aquilo que havia ocorrido anteriormente.

O show do dia 14/11/2015 no Morumbi foi diferente dos outros.
Todos são diferentes, alguém irá dizer, mas a atmosfera daquele dia talvez eu nunca mais vá experimentar em outro show do Pearl Jam.

Foi diferente, foi lindo.

Sábia decisão que eu tomei aos 45 do segundo tempo.

 Texto: Cristiano Feix

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8 thoughts on ““Só o Amor Pode Mudar Tudo”: 1 Ano do Show que o PJ fez em São Paulo”

  1. Foi uma celebração, saí literalmente de alma lavada desse show. Algo que só quem estava lá pôde sentir. Sua descrição me trouxe de volta à aquele 14/11/2015, que foi inesquecível, o show da minha vida… até o próximo né!!! Valeu!!!

    1. Parceiro, vou lhe dar uma dica: se quer curtir algo quase exclusivo, é melhor apreciar as bandas do cenário underground de sua cidade, pois desde agosto de 1991 que o PJ não é raro.

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