Análise: Nothing as it Seems

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Uma letra tão incógnita que chega a soar vazia, em uma música cheia de significados e simbolismos. Nothing as it Seems é uma pérola (com o perdão do trocadilho) brilhante e opaca ao mesmo tempo, em meio a um oceano de interrogações que vivia a banda na virada do século.

Nothing as it Seems foi escolhida a dedo para ser o Single do disco Binaural. Foi lançada em 25/04/2000 e, de cara, foi para o número 49 na parada “Hot 100” da Bilboard. Uma posição de reconhecido destaque para um som com cara de B-Side, mas que estava sendo exposto como a cara do ‘novo’ Pearl Jam.

O Pearl Jam queria impactar com seu novo disco. O Binaural era uma afronta aos críticos, que diziam que o Pearl Jam já não poderia se reinventar. Justamente Nothing as it Seems foi o Single que fez as rádios do mundo todo se perguntar: “Que Pearl Jam é esse?”.

Nothing as it Seems, com seus quase 5 minutos de solos distorcidos, uma linha de baixo triste e envolvida num vocal barítono legítimo de Vedder, mostrou a todos o que o Pearl Jam pretendia com o disco Binaural, a sua capacidade de se auto desafiar sem apego ao já enfraquecido rótulo de “Grunge”. De fato, o disco chamou a atenção, mas isso não vem ao caso.

A música é composta de acordes menores e de uma letra incógnita. O destaque total fica para Mike McCready e seus solos inexplicáveis cheios de Delay’s e distorções usadas ao extremo.

Infelizmente, eu não vivi a época do lançamento, mas acredito que muitos devem ter pensado como a banda iria conseguir reproduzir ao vivo o que tinha conseguido no estúdio. Eu até concordo que a música perdeu um pouco a qualidade obtida em estúdio, mas ganhou um campo aberto para cada solo ser executado de maneira diferente por Mike. Nothing as it Seems virou uma espécie de ode ao poder de Mike em colocar um público abaixo em alguns minutos de Solo. Eddie conseguiu compreender a obscuridade da música e sempre a interpreta de maneira única enquanto Mike rouba toda a cena.

Nothing as It Seems é uma parte sombria e forte do disco Binaural e de toda a história do Pearl Jam. Jeff Ament assumiu o risco e a banda toda concordou. Certamente essa música não faria sentido em outro disco.

Se eu pudesse criar uma metáfora simbólica para Nothing as It Seems, eu diria que ela é como uma fria noite de inverno, enquanto Mike McCready seria uma lareira pronta para aquecer todo o resto. Combinamos os dois e envolvemos tudo ao redor na voz fria e sombria do Eddie e temos a perfeição em forma de música.

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3 thoughts on “Análise: Nothing as it Seems”

  1. Mto bom o texto.

    Lembro na época do lançamento que tocava bastante até em algumas radios, mesmo tendo mais de 5 minutos e esse jeito sombrio e b-side.
    Acho que o cd nao tinha sido lançado aqui , então fiquei um dia com a fita k7 preparada e qdo começou a tocar taquei um REC e gravei p poder ouvir qdo quisesse até ter o cd. Velhos tempos.
    Ps: tenho a fita até hj. E funciona.

      1. Valeu!! Pode mandar. Aí nao vou precisar mais carregar meu boombox pesado no ombro. Walkman é mais pratico.
        😀

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