Análise: Ghost

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“A mente é cinza… Como a cidade”

A primeira estrofe já decifra a enigmática porrada Punk chamada Ghost.

Acordes que sobem e descem o tempo todo, solos rápidos e precisos de Mike, o vocal “Riot Áctico” de Eddie Vedder e para os amantes (ou não) de Matt Cameron, uma bateria extremamente precisa e que preenche muito bem os espaços nesse som que foi composto pela sempre eficiente dobradinha Ament/Vedder.

Ghost é um retrato da época e dos sentimentos de Jeff e Eddie no momento em que seu país vivia. A música fala sobre alguém desistindo, perdendo a esperança. Diferente de outras músicas que estão no disco Riot Act, Ghost não nos propõe um momento de redenção, nem esperança. Ela simplesmente nos entrega um retrato explícito que vai perdendo a vida, por isso o título “Ghost” (fantasma) foi escolhido.

A música é forte, tem uma introdução básica porém marcante. Ao longo de seus 3:15 minutos ela nos envolve em seu Riff e na levada acelerada que todos os instrumentos nos entregam, fazendo Ghost uma música realmente difícil de ser tocada, por mais simples que ela possa parecer…

“A mente é cinzenta como a cidade. Empacotada e grande demais. O amor é profundo, desenterre-o, parado sozinho em um buraco. Trabalhando em algo que nunca poderemos entender. Um lugar nas nuvens, seu lugar para se esconder…”

A letra é um tanto enigmática, e as frases são colocadas de maneira aleatória, mas todas se interligam, todas elas descrevem o momento de desistência, de fuga. Elas vão se amarrando até chegar ao refrão;

“Então, estou voando para longe, longe. Estou dirigindo para longe, longe. Encontrando, esperando por caminhos que eu errei antes. Errei antes”

No refrão, o ritmo acelerado de Ghost acalma e o vocal de Eddie ganha o reforço dos Backings Vocals de Matt e Jeff.
O protagonista, que nos primeiros versos desistiu de tudo, no refrão foge. A parte “esperando por caminhos que eu errei antes” é uma dica do que está por vir no próximo verso.
Agora na segunda metade da música, o protagonista se isola. Mas este isolamento acaba só piorando tudo, trancafiado em casa ele olha sua TV e as notícias só pioram sua situação.

“A TV, ela fala comigo dando as últimas notícias e construindo muros. Me vendendo, o que eu não preciso ‘não sabia que sabão podia te deixar mais alto ‘”.

Novamente o protagonista exclama a sua fuga, e como alguém que já vivera essa situação de caos que parece estar instalada, ele relembra em sua memória o passado. As últimas palavras da música são “Dying” (Morrendo), que são repetidas até o final.

“Não machuca… quando eu sangro. Mas as memórias me devoram, eu já vi tudo isso antes …Pode trazer, porque eu não sou uma vítima.”

Esse é o relato de alguém que já viu esse filme acontecer e sabe o final dele. As opções do personagem são a fuga, ou ficar e aos poucos ir morrendo… De qualquer escolha que ele tenha que tomar, o ânimo do personagem não parece ser dos melhores. Ele não encara a situação como alguém que quer buscar algo melhor para si. 

Ghost é o retrato do que o povo americano sentia e o que mais precisamente o Riot Act aborda. Um tempo obscuro na história Norte-Americana que culminou na abordagem mais de protesto do disco do Pearl Jam. Ghost está num contexto diferente de outras músicas que buscam redenção (Thumbing My Way, I am Mine), músicas que buscam o amor (Love Boat Captain, You Are), e diferente das músicas de auto-reflexão (All or None, Get Right), Ghost não se encaixa com nenhuma outra música, o que a deixa ainda mais significativa dentro do álbum.

Outra curiosidade é que Ghost foi tocada apenas 20 vezes, e se excluirmos a tour do disco Riot Act, esse número cai para 6. É uma música visceral, que tinha toda a chance de acabar como B-Side, mas que acabou se encaixando totalmente isolada no disco, e que realmente fez o Riot Act ser mais coerente com sua proposta.

As vezes não precisamos refletir, as vezes não precisamos redenção. As vezes precisamos simplesmente cuspir tudo e sair. Isso é o que Ghost faz, e faz divinamente bem.

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6 thoughts on “Análise: Ghost”

  1. ola Amigos do Pearl jam to fly, gostaria se possivel de informações sobre uma turne do eddie solo na argentina pois gostaria muito de estar la desde já obrigado.

    1. O boato que rola é que existem boatos. Mas a boa notícia é que sempre que começa esse ‘zumzumzum’ as notícias acabam se confirmado. Desde 2005 é assim.

  2. Ghost …. na minha analogia uma canção forçada pela politica dos músico como si diz aquela velha politica de olha vamos da uma oportunidade !.
    Jeff fez sim grandes trabalhos e ghost e bacana de mais mas cabe a nos não e uma pegada soando em seus ouvidos e dizer essa essência e pj … riot arc um cd forçado de mais com pouca qualidade … saudades de no code yield ….. pj virou moda matt trouxe perca de qualidade a banda parou no tempo , nao tem prazer em fazer belaa canções

  3. GHOST, é emblemática. A música no geral é legal e segue muito bem até o refrão, quando aparecem uns backing vocals (“away, away”) que acabam botando tudo água abaixo. Mas é emblemática porque muitas pessoas gostaram desse pequeno detalhe, enquanto que para outras tantas ele realmente comprometeu a música segmentadas entre os que gostaram muito (geralmente os fanáticos pela banda), os que acharam ruim (por parte daqueles que estão sempre à espera de um novo Ten ou pq não dizer uma melodia dos anos 90 ), e entre esses dois extremos está a maioria, aqueles cujas opiniões são pequenas variações da idéia de que o disco é bom mas nada de espetacular. claro que save you, cropduster são minhas musicas favoritas ainda sonho em ouvir cropduster ao vivo enfim não sou fa de matt mas oq salva ele e cropduster e backspacer que o salvou com pegadas agressivas com qualidade agora um lixo e the fixer ! lembrando que Pearl Jam teve sim grandes percas de qualidades pelo fato de tantos bateristas e tantas ideias que ao meu olhar ninguém faz o que outro faz idêntico mas eu considero matt uns dos melhores baterista mas longe do PJ pois não e a praia dele … me seguem no twitter
    galera fanatica por PJ
    @D_guedess
    Abraços ao meu amigo Marpearl que tive sorte de conhecer através do pj 2005

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