Análise: 1/2 Full

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Half Full é o dedo colado no botão de ‘foda-se’ do Riot Act. Ela é a música mais sensacionalmente descompromissada que eu já pude escutar do Pearl Jam.
Sou suspeito a falar dela, pois essa música dividiu águas em minha jornada como ouvinte de Pearl Jam. Mas isso é causo pra outra hora.

Primeiro vamos abreviar uma pequena análise do Riot Act.
Riot Act é um disco com uma pegada de protesto, arrependimento e, em algumas ressalvas, redenção.
Os pronomes pessoais (principalmente no singular) são via de regra em cada música. Então nos deparamos com Half Full, uma música no plural.
Desculpem a analogia tão diferente, mas ela ilustra o que Half Full representa dentro do Riot Act.
Half Full é a música que exclama, em alto e bom tom “Ninguém irá nos salvar”?

Mas antes desse final voltamos ao início.
Eu disse que Half Full é o dedo colado no botão de ‘foda-se’, mas em nenhum momento quis transmitir um tom pejorativo, mas voltado ao meu entendimento da música.
O riff de Half Full é leve e descompromissado. A guitarra de Stone fica Dropada em D (mí), e faz um ritmo que parece andar em círculos o tempo todo. Junte isso ao talento de Mike McCready em flutuar dentro desse riff cheio de distorção e muita técnica em uma música com solos do começo ao fim e pronto; temos um incrível registro para incluir no disco.

Eddie, extremamente inspirado pelos fato do 11 de setembro de 2001 e da eleição de George Bush, conduziu a música para algo em tom de derrota.
Observe a letra inteira abaixo.

“Escalando uma montanha, boiando no mar longe das luzes de uma cidade, os elementos falam para mim…

Sussurrando que a vida existia muito antes da cobiça, equilibrando o mundo em seu joelho…

Não veja alguns homens como metade vazios, veja-os como metade cheios de merda pensando que somos todos nada além de escravos… não haverá…

Mais meio que isso já foi dito antes. Os apoderados se apoderando mais e mais e ainda entediados…

Ninguém irá salvar? Ninguém irá salvar? O mundo?

Da mesma forma que a letra exclama derrota, ela tem no final sua pitada de reflexão.
A canção começa afirmando nossa insignificância perante o mundo, então ela caminha e seu tom de protesto vai subindo até chegar no ápice, quando a banda inteira deixa apenas a guitarra de Stone isolada; então Eddie exclama sua indagação: “ninguém irá salvar?” …

A voz do Eddie vai aumentando juntamente com a banda, que vai se reestabelecendo e aumentando o volume junto. Tudo isso vai levando Half Full a um final apoteótico, alto e extremamente exclamativo onde toda banda entra numa sincronia inacreditavelmente linda e natural. A voz de Eddie Vedder conduz como as mãos de um maestro fazem perante à orquestra e tudo soa muito autêntico nessa parte.
Às vezes, entrar no estúdio e simplesmente deixar rolar te leva a lugares incríveis dentro da música. Eu tenho uma forte impressão que isso aconteceu em Half Full, a banda confiou na guitarra de Mike McCready e tudo foi nascendo naturalmente. Óbvio que isso é um sentimento meu, quem dera eu estar lá na hora que a banda estava compondo essa música.

A liberdade para inventar, e a capacidade de Mike McCready e Eddie Vedder como músicos (sem desmerecer os outros membros da banda), aliados ao direito próprio da banda de chegar no estúdio e deixar tudo rolar, culminou em Half Full.

Half não deve ter sido a única vez que a banda adotou essa postura no estúdio, mas com certeza foi uma das vezes que mais deu certo e que transpareceu ter sido criada dessa maneira.

Eu particularmente acho que são nesses momentos que as coisas mágicas acontecem!

 

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4 thoughts on “Análise: 1/2 Full”

  1. Altas sonzeira! Sempre achei essa música um blues grunge, que nem Let The Records Play e o embrião tímido dessa mescla que começou em Red Mosquito…

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