Shows Históricos: Pearl Jam em Porto Alegre, 2005

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Em 2005 a internet era bem diferente do que é hoje. Mas a euforia dos sortudos que entraram no site do Pearl Jam em meados de agosto de 2005 e escutaram Garota de Ipanema é tão lembrada entre os fãs, que daquele dia em diante dava para ter a certeza de que finalmente o Pearl Jam tocaria no Brasil! Quase uma década e meia de espera, mas finalmente, no dia 28.11.2005, o Pearl Jam se apresentava em solo tupiniquim.

Pearl Jam, Porto Alegre, 28.11.2005 no Ginásio do Gigantinho. Tentaremos agora transmitir a redenção que foi esse lendário show no nosso 9® episódio da série “Shows Históricos”.

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Após inúmeros boatos nunca confirmados de shows do Pearl Jam no Brasil, finalmente eles estavam de malas prontas para uma tour que passou por Porto Alegre, Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro, para saciar um pouco da vontade dos fãs brasileiros. Os dias que antecederam aos shows do Brasil foram de apreensão… Preço salgado do ingresso, problemas de logística e a possibilidade do cancelamento de alguns shows foram “espantando” parte do público. Porto Alegre teria a menor capacidade de público em comparação aos demais shows (12 mil pessoas), e até cerca de 15 dias antes do evento nem 2 mil ingressos haviam sido comercializados! Em comparação, São Paulo já havia vendido 64 mil ingressos para os dois shows.

Porém os boatos nos fóruns da internet e no extinto Orkut davam conta de que os shows no Chile e na Argentina teriam sido lendários, e com isso, na manhã do dia 28.11.2005, a bilheteria finalmente estava esgotada, o Gigantinho iria lotar!

Ao entardecer, as filas ao redor do Ginásio eram extensas, muitos fãs sentindo a atmosfera ímpar que só um show do lendário Pearl Jam proporciona. Fãs trocando figurinhas, lembrando os primeiros discos, as músicas que cada um mais gosta, seu contato com a banda… Histórias e mais histórias que só um show carrega.

Já dentro do Gigantinho dava para perceber que a acústica seria um problema… O Ginásio é muito fechado, e o som “bate” nas paredes e volta, causando um eco e atrapalhando principalmente quem está mais ao fundo… Incrivelmente, a partir do momento que o sistema de som (inédito para muitos naquele dia) começou a funcionar, o problema acabou. Eram umas caixas de som suspensas no teto, em formato convexo, e o som vindo de cima não ecoava tanto, o que foi uma surpresa pra boa parte do público que historicamente reclamava do ginásio e de sua acústica.

A banda de abertura, Mudhoney, subiu ao palco e fez um show de 40 minutos muito elogiado pelos presentes. Muitos fãs, inclusive, teriam ido ao Gigantinho só para testemunhar a banda de Mark Arm e seu lendário Punk/Grunge raiz de Seattle.

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Após o show do Mudhoney era hora de finalmente ver Eddie Vedder e sua trupe no Brasil! Alguns minutos de atraso e finalmente o Pearl Jam entrava no palco. Os bootlegs denunciam o tamanho a ovação que a banda recebeu… Como uma metáfora emblemática, a primeira música a ser tocada em solo brasileiro foi “Long Road”, afinal, a estrada e a espera para os 12 mil presentes, e tantos outros que se sentiram representados por eles, era longa… Muito longa! A voz do Eddie nos primeiros minutos de show é quase inaudível para o público do meio para trás por causa dos gritos de euforia. Logo depois aos poucos o público foi acalmando, e, penso eu, ‘caindo na real’, pois finalmente o Pearl Jam estava ali, em carne e osso, tocando as músicas que os fãs tantos sonharam em ver ao vivo!

Após a emblemática Long Road, o setlist seguiu com Last Exit, Animal, Do The Evolution e Green Disease. Uma paulada atrás da outra, e já dava pra notar que o tão esperado show seria épico! O show teve o seu primeiro clímax na música seguinte… Jeremy! Não houve um presente sequer que não deve ter lembrado do clipe, dos anos 90, e de tudo que essa música trouxe ao Pearl Jam. A plenos pulmões o público, contagiado e totalmente emocionado, cantou, pulou, agradeceu e mais do que isso… Fez a banda toda se olhar e se perguntar… “Que público é esse?!”

Era notável a admiração da banda com tamanha recepção, eles pareciam inebriados por tamanha recepção por parte dos brasileiros, e o sorriso no rosto de cada um denunciava isso.

O show seguiu com Grievance, Cropduster, Even Flow e Betterman. Em um momento, Eddie Vedder puxou um papel e começou a ler algumas palavras em português, e muitos presentes relatam que isso foi algo quase que inédito na época… Eddie disse que agradecia por terem esperado tanto, e ainda mais, em suas palavras ele disse; “Obrigado por nos darem uma noite para relembrar”.

State of love and trust foi a música seguinte, seguida de Daughter e Habit.

Em Given to Fly, novamente o público se ascendeu com um dos clássicos mais esperados da noite, mas com Immortality o show ganhou um clima denso e de reflexão. Segue abaixo o depoimento do fã Alessandro Lazzari, que estava presente; “Quando a música começou eu não me contive e chorei copiosamente. Pensei poxa, é finalmente o Pearl Jam, e eles estão aqui! Olhei para o lado e incrivelmente todos ao meu redor choravam também! Foi um momento que jamais vou esquecer.”

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Save You e Rearviewmirror seguiram o show e enfim um encore break para que o público pudesse respirar um pouco!

Durante a primeira parte do show, Eddie viu um rapaz com uma camiseta escrita “I Got Shit”, e ao voltar do encore resolveu incluir essa música que não estava no setlist.

Crazy Mary foi a música seguinte, e antes mesmo de um momento dos mais incríveis da história do Pearl Jam acontecer ali naquele show, o público parece que estava adivinhando que seria em uma música dos Ramones o grande ápice daquele dia… Durante os intervalos das músicas o público constantemente gritava “Hey-Ho! Lets Go”, como um mantra para seguir em frente com o show. Incrivelmente a música seguinte seria “I bellieve in Miracles’’ e para surpresa geral Eddie disse que tinha alguém que ele queria chamar ao palco para tocar essa música com a banda. Era Marky Ramone, o lendário baterista dos Ramones, que estava em Porto Alegre naquele dia e resolveu dar um alô para a banda antes do show! Eddie prontamente o convidou a subir ao palco e então, naquele momento, de alguma forma as duas bandas se conectaram e Marky tocou para delírio dos presentes!

Como uma redenção, o riff de Alive fez o Gigantinho explodir em uma celebração das mais intensas que a banda já testemunhou! Ali foi o momento em que todos cantaram junto, acenaram, pularam loucamente. Foi o momento em que todos estavam esperando há 14 anos, o momento de finalmente cantar junto ao Vedder “I’m Still Alive!”

O show foi se aproximando do final com uma sequência de Small Town, Corduroy e Blood. Ainda antes de Blood, o Eddie pediu ao público para cantar parabéns pois era aniversário de Matt Cameron, baterista da banda. Alguém da produção trouxe um bolo que foi gentilmente jogado no público.

Baba O’ Riley e Yellow Ledbetter encerraram o inesquecível show, que ainda teve um outro momento diferente em seu final. O último solo de Yellow era tocado por Mike quando um fã jogou uma camisa do Grêmio perto do Boom Gaspar. (https://www.youtube.com/watch?v=TW5oE76BISQ)  Sem pensar muito, Boom vestiu a camiseta e o gigantinho virou um misto de gritos e vaias! Sem entender nada, a banda se despediu, agradecendo novamente o público e aquele misto de vaias e vibração virou um uníssono aplauso de agradecimento, pois finalmente os fãs brasileiros tinham vivenciado um show em solo nacional.

Um show realmente histórico para todos os envolvidos.

Nos vemos no próximo episódio!

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2 comentários em “Shows Históricos: Pearl Jam em Porto Alegre, 2005”

  1. Ótima matéria, me fez retorna ao passado e sentir toda emoção na época poder ver o Pearl Jam no Brasil. (Neste ano de 2005) foi mágico fui nos shows de sampa e Rio. Bom texto!

  2. Como é bom recordar viver e isso , foi magico os shows 03/12. 04/12 especial 03/12/2005 SAD # Present tense breakerfall um set monstro e raro ,foi algo sem palavras tive o prazer e a satisfação de ter ido nesses dois megas shows e conhecer uma pessoa especial que é o marpearl um irmão que eu ganhei. voz do ed cansada e rouca e bela deu a vida nas canções que saudades … tenho em meu pequenoo currículo PJ 2005/2011/2015
    the best sem duvida foi 2005

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