Análise: Insignificance

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Se eu montar um top 10 de músicas preferidas do Pearl Jam, com certeza Insignificance estará lá; Se eu montar um top 5, muito provavelmente ela estará lá; Se eu montar um top 3, arrisco a dizer que ela também estará lá…

Mas o que faz de Insignificance tão ‘significante’ assim para estar entre as melhores canções na visão do autor desse texto? Em meio a Alive, Black, Even Flow, Given To Fly, Rearviewmirror e tantas outras grandes músicas, Insignificance é um conjunto da obra que caracteriza tudo aquilo que o Pearl Jam é. Se me pedissem para definir o Pearl Jam enquanto grupo de Rock, eu apresentaria Insignificance, pois essa é uma poderosa música em todos os sentidos; vocal, guitarras, bateria (um salve para Matt Fucking Cameron), o baixo preciso e complementar à bateria, que possui maior destaque, os backing vocals, as viradas, enfim… a obra como um todo!

Abordar Insignificance é necessariamente voltar ao Binaural, e toda sua proposta. Insignificance é a sétima música do Binaural, está posicionada entre Thin air e Of The Girl. Binaural talvez seja o disco mais impactante em termos experimentais do Pearl Jam, você encontra de tudo nesse álbum, desde fortes músicas de protesto, passando por canções de amor, ukulele até músicas sobre nossa existência e Deus. Insignificance eu diria que é a música que conecta boa parte desse álbum, ela aponta uma extrema indignação e até uma crítica interna sobre a perda da arrogância como um todo. Diferente de músicas mais reflexivas como Present Tense e Indifference por exemplo, Insignificance não aborda a vida ou as escolhas e motivações como referências, mas ela provoca um exercício de conexão entre quem a banda era naquele momento com o seu passado, fazendo isso de maneira quase que peculiar, apontando para uma miscelânea de estrofes soltas que fazem total sentido aos fãs que acompanham a banda de perto. A música apresenta cenários que nos fazem imaginar situações, desenhar um filme abstrato em nossa memória, sem necessariamente contar uma história. Insignificance traz ao Binaural, o elo entre estar e ser, entre questionar e responder, e faz isso de maneira magistral com todo o talento de todos os seus músicos.

Não tentarei analisar frase por frase como de costume, pois eu entendo Insignificance como uma verdadeira guerra mesmo. Ouvir Insignificance com o volume no ‘talo’ te faz perceber o cenário incrível desenhado através dos nossos ouvidos onde cada instrumento vai rodeando o Riff principal tocado por Vedder, onde as guitarras e a bateria estão extremamente cruas e onde você consegue ter a sensação de colapso, de batalha mesmo.

A letra, uma das mais emblemáticas de Vedder, quase não faz sentido para quem não conhece a história da banda (você até pode criar conexões e interpretações, assim como eu fiz aqui no texto) pois Eddie solta frases que só fazem sentido ao analisar todo o contexto envolto ao Pearl Jam. Não vou dissecar cada uma delas, mas as referências estão em todas elas…

Em termos mais simplórios, a letra de Insignificance faz referências a toda caminhada ‘oculta’ do Pearl Jam até aquele momento, quando digo oculta, digo do não conhecimento da grande massa, desconhecido, e chega ao refrão (auge da música ) exclamando aquilo que Vedder sentia quando eles chegaram no auge…

“Bombas caindo em nossas cabeças, nos nossos pés, por favor perdoe nossa terra natal em nossa insignificância”.

Não há como não pensar na época do Ten, onde a banda começou a ser fortemente criticada por ser famosa e não seguir alternativa etc etc… Perdoe nossa terra natal escancara de maneira mais categórica essa parte.

Em seu final a música começa a ganhar um tom de redenção, quase como se invertessem os papeis do personagem que antes era a “banda” e aqui se torna o “fã”, a música consegue criar uma espécie de “Plot Twist” (termo usado no cinema para identificar uma reviravolta inesperada no rumo da história) musical, e de forma inexplicavelmente bela ela dá a entender que mesmo na dura batalha (cenário criado pela musicalidade), ainda sim existe esperança, e a esperança são os fãs;

“Saídas perfeitas vêm chegando, eu estava sozinho e distante quando eu escutei a banda começando a tocar…”

Essa frase acima é, pessoalmente, a mais icônica de toda a carreira do Pearl Jam. Ela se aplica a cada um de nós, que é fã inveterado dessa banda, e que um dia ouvindo o Pearl Jam (seja na primeira vez ou na centésima, milésima) teve essa sensação de que o horizonte mudou, que as perspectivas e (sim) a vida mudou. Essa música faz referência disso à nós, assim como se aplica a Vedder e sua devoção ao The Who por exemplo. Ela, mais do que nunca, nos conecta enquanto fãs e ídolo, e nos aproxima como semelhantes, porque até nossos ídolos tem ídolos também! É magistral o efeito dessa parte de Insignificance!

Insignificance, na minha visão, é uma auto análise dentro de uma poderosa música de Rock n Roll, capaz de definir (porque não?) a banda e sua trajetória até então. Nunca uma música como um todo fez tanto sentido contextual na carreira de uma banda como eu vejo Insignificance fazer na carreira do Pearl Jam.

Mas essa é a minha opinião, deixe abaixo a sua opinião, crítica ou comentário!

Texto: Cristiano Feix

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13 thoughts on “Análise: Insignificance”

  1. Top a resenha e essa música mata a pau mesmo! As músicas do Binaural e do Riot Act são as que ficam mais massa de escutar ao vivo… E nunca havia lido a letra de Insignificance encarando dessa forma que foi resenhada aqui. Sempre achei que tratava sobre guerras… O Pearl Jam é foda mesmo…

    ps: a parte do “solo” da canção sempre achei Sonic Youth pra caralho.

  2. Muito bom a sua análise !
    Realmente é uma canção complexa e que retrata uma realidade vivida pela banda. Com certeza, se fizermos uma análise buscando nossas vidas como referencia, podemos ter um outro ponto de vista, mas sem dúvida devagar sobre o apresentado na análise é uma proposta melhor.
    Parabéns pelo trabalho, Eddie Vedder é um destes compositores geniais que costumo dizer que não compõem canções, ele psicografa… É muito difícil afirmar com certeza do que ele quer tratar em uma canção, suas canções são muito ricas, elas podem ter vários sentidos e todos fazerem muito significado para aquele que a escuta e com o passar do tempo as canções parecem que vão se atualizando sem nem almenos ter mudado uma unica palavra.
    Simplesmente fantástico, assim é PJ !!!

  3. Parabéns pela análise. Nunca tinha visto a canção por esse ângulo. Pelo contexto político da época do Binaural com a vitória do Bush, que seria o alvo em Riot Act, pensava que a canção era um protesto político. Parabenizo pelo site e gostaria de sugerir avaliar a canção hard to imagine de 94, que é a minha favorita.

  4. Profunda e bacana analise mesmo amigo Cristiano Feix, agora as confirmações de datas nos próximos dias, Maracanã, Curitiba, Colômbia, Canadá, Grécia??
    São grandes os boatos e as informações cruzadas pelo fanclub…
    algo apurado pelo outro carinha poeta do site também?
    Abraço

  5. Gostaria de saber por que quando coloco o codigo de desconto de 10c enviou na compra do lolla day o mesmo diz que “nao existe codigo para esse assento”. ?

  6. Excelente análise, eu costumo interpretar esse trecho “Estava sozinho e distante até que ouvi a banda tocar” numa alusão à própria solidão do Vedder antes de receber a fita do Jack Irons…mas, como já disseram Eddie escreve as letras para que cada um posso interpretar de seu próprio jeito.

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