Mind Your Manners

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Quando ouvi a MYM pela primeira vez ela parecia um amontoado de coisas ao mesmo tempo: pesada, as partes da letra que eu conseguia entender pareciam ser muito mais estruturadas (diferente de boa parte do Backspacer), os backing vocals se sobrepondo em vários trechos… Enfim, ela parecia difícil de entender. Mas, ao ouvir mais vezes, percebi o quanto ela é boa! A primeira sensação que tive foi compará-la a Supersonic: rápida, barulhenta e com uma mensagem rápida para os fãs, mas, depois de conseguir apreendê-la melhor (essa palavra define bem) vi o quanto ela é muito superior, à exceção de “Spin the Black Circle”, a qualquer música estilo “Supersonic”.

 O começo já passa uma sensação da alucinação que está por vir: um ritmo forte e revoltado, um riff que pega e te leva durante toda ela e o melhor de tudo aqui: a raiva com que o Eddie canta! Tudo isso faz dessa música uma excelente abertura para essa nova fase “Lightning Bolt”. Todos os atributos são mais trabalhados e soam muito melhor que no Backspacer; parece que a banda amadureceu, e muito, tudo aquilo que eles vinham fazendo nos últimos 5 anos. Para mim, o ingrediente que causou essa melhora (pelo menos até agora… Ouvimos uma música só!) é a sensação de insatisfação com algo. Vários comentários aqui no blog e outros lugares mencionavam que faltava isso na banda e principalmente no Eddie: a impressão de que algo está errado. E a letra da MYM é ótima ao criticar duramente a religião e, menos diretamente, Deus. Não sei se o Eddie é ateu (ele dá a entender que sim, mas às vezes eu fico na dúvida), mas essa pesada critica à religião é o resultado dessa insatisfação. Espero que nas outras músicas isso se estenda a outras áreas, mantendo assim essa crítica que, ao meu ver, parece que vai ser a temática geral do Lighting Bolt: toques de Backspacer mas com a banda mais madura, muito mais criativa e, reforço, insatisfeita com o seu entorno.

 A construção da MYM é bem padrão rock, e eu gosto disso: verso, refrão, verso, refrão, bridge, solo e um final mais forte. Mas ela não é “apenas uma música de rock”; o Pearl Jam conseguiu colocar a sua identidade nesses pouco mais de dois minutos dela. Ela soa como Pearl Jam (como o Stone disse em entrevista), e é isso que me deixa muito animado com o que está por vir na outras 11 músicas! A MYM era pra ser apenas uma amostra do novo álbum, mas ela diz muita coisa, já é a cara do Lightning Bolt (não estou dizendo que todo o álbum vai soar assim, mas que ela mostra toda o potencial do que vem por aí). É densa, pesada, tem uma letra ótima e soa mais Pearl Jam do que a maioria do Backspacer.

 Para finalizar, posso dizer que fiquei muito satisfeito! E pra quem ainda não se convenceu daquilo que ouviu, peço que ouçam com mais carinho, tenho a impressão que a MYM vai crescer muito com o tempo e não virar a “The Fixer” (uma música mais rala e enjoativa), mas uma música densa e com uma mensagem marcante que permanecerá por muito tempo.

 Desculpem o excesso de comparação com o Backspacer, mas eu gosto de analisar esse caminho que o Pearl Jam faz ao longo dos seus álbuns!

Publicado no blog dia 12 de Julho de 2013.

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