Textos dos Fãs

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Espaço destinado aos textos que os amantes do Pearl Jam escrevem e mandam para a gente. Se você tiver alguma coisa, qualquer coisa, relacionada ao Pearl Jam, mande para a gente que iremos publicar aqui!

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Texto Enviado por Cristiano Feix (21/12/2014)

Pearl Jam no The Spectrum

A Spectrum Arena, localizada na Philadelphia PA, foi um grande reduto do esporte norte-americano ao longo do tempo, e também um notável palco onde grandes lendas do Rock n Roll desfilaram suas lendárias músicas, tais como The Jimmy Hendrix Experience (1969), The Doors (1970), Grateful Dead (53 vezes!), Yes (32 vezes!), Aerosmith(23 vezes), Pink Floyd, The Who, Gênesis, The Jacksons, Kiss, Bruce Springsteen e Dio…
Haja lenda do Rock para pisar no mesmo palco não é?

Pois é, o nosso amado Pearl Jam também esteve por lá algumas vezes e, mais do que isso, os caras foram os responsáveis por encerrar as atividades da Spectrum Arena!

No dia 31/10/2009 foi realizado o último espetáculo na tradicionalíssima casa de espetáculos norte americana, onde o Pearl Jam encerrava uma série seguida de 4 noites onde nada mais, nada menos do que 104 músicas diferentes foram apresentadas!

Estamos diante de 4(!) das maiores setlists da história da banda com toda a certeza, noite após noite eles se superaram, até o gran finale da noite do dia 31/10/2009, onde o Pearl Jam apresentou uma setlist de 42 músicas, com mais de 3 horas de puro Rock N Roll, de puro Pearl Jam, de improvisos, de novidades, de nenhum medo de arriscar no palco e principalmente de muita emoção!

Poucas bandas tem (ou tiveram) essa liberdade de expressar tudo o que sentir no palco sem medo de desapontar sua plateia, talvez o Led Zeppelin tenha sido assim também, mas não me lembro de outras bandas ou artistas que ousavam tanto no palco quanto estas duas bandas.

Os 4 épicos concertos apresentaram raridades da banda, covers, músicas apresentadas pela primeira vez, e muito improviso. Parecia que os seis caras eram os donos da Spectrum Arena o tempo todo, eles estavam em casa, realmente.

Só de raridades, rolou: Parachutes, Rival, Ghost, Bee Girl, The End, All Those Yesterdays, Mankind, All Night, Gone, Nothing as It Seems, No Way, Down, Speed of Sound, Push Me, Pull Me, Garden, In My Tree, Tremor Christ, Untitle/MFC, Hold On, In Hiding, Deep, Cropduster, Force of Nature, Present Tense, Parting Ways, Light Years, Breath, Footsteps, You Are, Rats,  I’m Open, I Got Id, Glorifield G, Out of My Mind, Low Light, Inside Job, Bugs, Satan’s Bed, Sweet Lew, Smile e etc, etc, etc…

Dá para montar uma setlist só de raridades, só de películas que não escutamos a qualquer show, a não ser que este seja especial!

Dentro destas, Hold On, Bugs, Speed Of Sound e Sweet Lew foram apresentadas aos fãs pela primeira vez ao vivo. Algumas, como Out of my mind, não eram apresentadas há uma década ou mais.

Tiveram os covers também, destaque total para “Whip It”, da banda DEVO. Onde todo o Pearl Jam se fantasiou e atuou como era a banda progressiva DEVO! Surpresa geral para o público nessa parte do show.

Com todas as honras o Pearl Jam foi encarregado de uma missão que para algumas bandas seria impossível, cravar seu nome onde Jimmy Hendrix, Pete Townshend, Jim Morrison, Steven Tyler, Bruce Springsteen e tantas outras lendas desfilaram seu puro Rock n Roll. Mas depois das 4 noites, todo o Pearl Jam, todo, banda, produção, e principalmente os fãs podem dizer de alto e bom tom, MISSÃO CUMPRIDA!

Queiram aceitar ou não, o Pearl Jam cravou seu nome tão profunda e intensamente quanto qualquer outro artista na gloriosa história desse palco de tantos shows lendários. Fazendo isso, ele firma mais uma vez seu conceito de música, acima de tudo, dando aos fãs 4 dos maiores shows já vistos na historia da banda, na história do Spectrum Arena e na história do Rock N Roll!

* Todos os quatro shows foram lançados em CD em um box exclusivo com uma arte diferenciada para os fãs poderem apreciar esta maravilha.

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Texto Enviado por Adriane Marra (1/12/2014):

EDDIE VEDDER – sua voz em suas letras

1992, clip de “Alive” na MTV Brasil – foi o que bastou para me encantar pelo PJ e seu front man Eddie Vedder, com sua voz única, transbordando força e sentimento. E, ao conhecê-lo mais de perto, vi que essas qualidades vocais estavam também presentes em suas letras autênticas e significativas.

É esse Eddie que se mostra no TEN, onde ele se apresenta já abrindo sua vida particular em canções como “Alive” e “Release”. E ao mesmo tempo, Mr. Vedder se mostra antenado com a realidade a sua volta, como em “Jeremy” e “Why Go”, contanto histórias tristes do cotidiano. Já de cara é notável a tendência de Vedder em compor letras melancólicas, o que vai ser sua marca registrada. Só que essa melancolia não é algo que nos leva a afundar em tristeza, pelo contrário, o que ela faz é nos colocar questionamentos para tirarmos algo bom disso, para mudarmos a realidade muitas vezes insatisfatória a nossa volta:

“I don’t question our existence,

I just question our modern needs”.

O segundo álbum, VS, traz à tona um Eddie furioso com tanta exploração de sua imagem em detrimento à sua música, atingindo o clímax em “Blood”: “Paint Ed big, turn Ed into one of his enemies”. Com sua voz mais gutural e letras mais agressivas em vários momentos, ele também demonstra indignação contra o sistema, como em “WMA” e “Glorified G”. Mas, acima de tudo, sua autenticidade e questionamento permanecem:

“I won’t change direction and I won’t change my mind

How much difference does it make?”

Em seguida vem VITALOGY, o estudo da vida, quando Eddie beirando os 30 anos vai aprendendo a transformar sua fúria em ironia, sutilizando suas letras, com recados indiretos ao que lhe desagrada. Um exemplo é “Corduroy”: “They can buy but can’t put on my clothes”, em relação às réplicas de sua surrada jaqueta de veludo marrom sendo vendidas em lojas faturando às custas da imagem “grunge”. Outra música ácida é “Not For You”, uma das canções emblemáticas da banda, um hino aos verdadeiros fãs da música do PJ, onde Eddie dá um chega pra lá em quem não entende isso e não respeita sua privacidade, dizendo que seu som não é pra eles:

“All that’s sacred comes from youth / Dedications naïve and true

With no power nothing to do / I still remember, why don’t you?

This is not for you”

Dois anos depois, temos NO CODE e o distanciamento que a banda se propõe a fazer em relação às letras, para de alguma forma se preservar mais. Aqui ouvimos o Eddie experimentar e ampliar seus timbres vocais, como no refrão da “Sometimes”, usando tons mais altos. E à medida que suas letras vão se tornando mais impessoais, elas se enriquecem na introspectividade e reflexão, resultando em épicos como “In My Tree”, onde ele faz um “retiro” e observa tudo à distância:

“Up here in my tree, yeah

Newspapers matter not to me

No more crowbars to my head

I’m trading stories with the leaves instead”

Mais um par de anos se passa e chega YIELD, trazendo um amadurecimento do PJ, dando luz a este álbum equilibrado que nos dá a clássica “Given To Fly”, na qual Eddie lapida seu lirismo, criando belas imagens para essa metáfora da liberdade interior conquistada. Já em “Do The Evolution” ele alcança a maestria do cinismo em uma de suas melhores letras:

“This land is mine, this land is free,

I do what I want but irresponsibly.”

Na virada do milênio vem o lançamento de BINAURAL, e o PJ com quase uma década de existência mostra que continua evoluindo sempre. Ouvimos isso claramente na voz de Vedder, que alcança aqui um outro timbre, mais maduro e estável. Ele próprio diz, no livro PJ20, que foi neste álbum que sentiu que as músicas vinham realmente da sua voz. E ela nos dá grandes presentes, como “Light Years” e sua emocionada despedida a uma pessoa querida. Já outras letras refletem sobre o desconforto do Eddie com questões como, por exemplo, a tecnologia em “Grievance”, ou com organizações e seus propósitos, questionados em “Insignificance”:

“The swallowed seeds of arrogance,

Bleeding in the thoughts of ten,

Thousand fools who fight irrelevance.”

RIOT ACT surge no período pós Roskilde, com Bush na presidência – dois fatores que muito contribuíram para o clima sombrio deste álbum, e mais diretamente para duas canções, respectivamente “Love Boat Captain” e “Bu$hleaguer”. Obviamente Eddie demonstra tanto descontentamento em seus vocais, que predominantemente são bem graves, chegando a belos timbres como em “All Or None” e “I Am Mine”. Nesta última, ele refina ainda mais seus versos, em uma de suas mais belas letras:

“The ocean is full ‘cause everyone’s crying

The full moon is looking for friends in high tide”

Quatro anos mais tarde no PEARL JAM, o Abacate, nosso Eddie volta em plenos pulmões, emendando três pauleiras na abertura do álbum. A banda supera seu luto e vem com força renovada, encarando de frente o segundo mandato de Bush com letras ácidas criticando sua política:

“It’s a shame to awake in a world of pain

What does it mean when a war has taken over

It’s the same every day and the wave won’t break”

BACKSPACER fica pronto com o PJ quase chegando aos 20 anos e Vedder aos 45. Os tempos são outros, o presidente é o candidato deles, Eddie tem duas filhas – este contexto não poderia deixar de influenciar o álbum. Com letras mais otimistas, como “The Fixer”, Eddie coloca mais ar em sua voz, transmitindo mais leveza, apesar de não ter perdido sua força e continuar transmitindo muita emoção. Além disso, um dos pontos altos, “Unthought Known” não nos deixa esquecer do compositor inspirado que é Eddie Vedder:

“Feel the path of every day, which road you’re taking?

Breathing hard, and making hay, yeh this is living”

Finalmente chegamos ao momento presente de LIGHTNING BOLT. Um álbum que traz a autoconfiança de uma banda que tem a liberdade de fazer o que quer. Eddie, há um ano de completar seus 50, sente-se à vontade para se expressar romanticamente em “Sirens” e “Future Days”, e em outros momentos continua sendo crítico e indignado, como em “Mind You Manners”, além do sempre profundo questionador, por exemplo, de “Infallible”:

“Somehow it is the biggest things

That keep on slipping / Right through our hands

By thinking we’re infallible / We are tempting fate instead”

E aqui estamos em 2014, com 23 anos de Pearl Jam e Eddie Vedder em nossas vidas. Durante essa jornada, pude acompanhar o cara tímido, colérico e inconformado gradualmente se transformar no autoconfiante e ainda poderoso homem que é hoje.

Como músico, Eddie sempre me cativa com sua voz e suas letras cheias de alma, juntamente com seu respeito e devoção aos fãs. E como ser humano, ele ainda me surpreende com a coerência entre suas palavras e ações, continuamente engagadas em transformar seu amor pelo planeta em ativismo, e sua indignação com a injustiça em apoio genuíno a pessoas e causas.

Só posso concluir que serei eternamente grata pela força e verdade que este artista inspira em mim e em tantas pessoas, e acredito que ainda há muito mais por vir para nos deleitar!

Adriane Marra

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Texto enviado pela Maria Pereira, administradora do grupo Come Back no Facebook, sobre as recentes críticas que muitos fãs do PJ tem destinado à banda sobre as músicas e suas posições atuais.

Tenho lido muitos textos falando do PJ ter se tornado comercial, previsível e que tanto o LB quanto o Backspacer não foram nada em comparação com outros discos tais como No Code, Yield ,etc. O PJ mudou, lógico. Ninguém é o mesmo durante 25 anos, ainda mais uma banda que mistura várias vertentes musicais em suas composições. Outros reclamam que o Eddie é muito melancólico nas letras. Me deixa triste ler fãs que descrevem o maior letrista que já vi na vida dessa forma. EV se diferencia de muitos exatamente por ter esse lado obscuro, cheio de códigos e entrelinhas. O “enchismo” chegou ao fã, que nem deveria se considerar FÃ.Troca de banda. Tem tantas. São pseudocríticos musicais que pegaram o bonde andando,  se acham os tais e desconhecem toda história da carreira longeva dessa banda que nem sabe o número exato de fãs que têm…de tantos que são.Muito me alegra ver que existem pessoas como nós, que amam o PJ no palco…o PJ no toque de celular..o PJ no MP4 que a gente ouve…nas camisas que vestimos, com mais amor, que muitas vezes ultrapassa o time que torcemos ou a camisa da seleção. Isso é gratuito. É algo que não é para questionar. É para idolatrar mesmo..Fico entre o “não acredito no que estou lendo “ e o meu lado de ignorar pessoas que se dizem fãs …mas não são…não foram e  nunca serão.

Isso não é um desabafo. É apenas o que tenho lido por aí Dei minha opinião e resumi do meu jeito ácido de escrever que muitos em conhecem.

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Mais um texto do Cristiano Feix! Descubra sobre quais músicas do Pearl Jam ele está escrevendo!

“Eu peguei o caminho mais difícil, era um tempo diferente onde a raiva estava na moda. Mas eu tinha esperanças, parecia abril mas era maio. Há quem diga que depois do inverno sempre há uma primavera, mas ultimamente nada funciona, nada mais funciona para mim.
É triste.
Desistir? Sem chance!
Eu já estive aqui antes, é um trabalho interno hoje.
É tão profundo, mas eu não consigo chegar no fundo. Precisava espairecer, então sai para dirigir hoje, é um tempo de emancipação. No retrovisor? Só você.
Cheguei até um oceano e fumei agachado numa árvore, uma onda veio e quebrou forte como um soco no queixo entregando me asas, ‘Hey, olhe para mim agora!’. Sem me perceber eu estava voando!
WOAH!!
O que te faz sorrir? Eu pensei, olhando no espelho. Mas todos sabem, debaixo desse sorriso tudo está. Todas as minhas esperanças, raiva, orgulho e vergonha. Como isso pode terminar? Como eu posso me curar? Eu sei, a vida poderia ter sido diferente se eu tivesse resistido.
Tem um dissidente aqui, e sou eu.
Eu tento fazer direito, mas sempre há um fantasma misturando as cores com cinza.
As vezes preto, tatuando tudo. Mas eu não estou cego, eu consigo ver isso chegando.
Não é a mesma coisa aqui sem você, não consigo achar meu rumo. Eu ouço as sirenes, mas onde elas querem me levar?

É uma longa estrada.

Parece que tem alguma coisa faltando, e eu não sei.
Uma vez dividido nada sobra para subtrair. Eu estava perdido quando vi aquela banda tocar, mas ai eu enxerguei, depois da curva havia um sol!
Não um grande e difícil sol, mas um sol brilhante e cheio de fé! E eu acreditei, nós todos acreditamos!

Eu olhei para mim mesmo e disse, porra eu estou vivo!

Eu que sempre tive o rosto enrugado e tenso, como se tivesse dirigido uma motocicleta nos selvagens ventos, de repente me vi apenas respirando, consertando aquilo que estava quebrado, pensando que eu não deveria me olhar como meio vazio, mas sim meio cheio de merda. E de toda essa merda algo bom surgiria, um suspiro, um grito, não sei, mas algo viria!

O trabalho interno estava quase completo, eu percebi que as vezes eu sei, as vezes não, as vezes eu caio, as vezes eu levanto, e a vida é assim mesmo, é um tipo de vida perdida.

Enfim o trabalho interno estava completo, então eu percebi que eu sou um cara de sorte por poder contar em ambas as mãos as pessoas que eu amo, algumas pessoas só tem uma, outras nenhuma…

Percebi que eu tenho que tenho que tentar apenas respirar…

Completei este trabalho interno em pleno estado de amor e confiança, sabendo que tenho tudo o que preciso aqui do meu lado, sabendo que agora eu acredito, e acredito porque eu consigo ver. Sabendo também que nossos dias futuros, são dias de você e eu.”
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Material Enviado por Cristiano Feix – Ele analisa as músicas I Got ID e Hold On e, em seguida, fala um pouco da parceria Neil Young e Pearl Jam

1) – Análise: I Got ID –

O grande intuito desse projeto é divulgar a influencia do Pearl Jam sobre nós fãs.

Fazendo isso, eu sinto uma forma de estar agradecendo a eles por tudo que já me proporcionaram ao longo dos anos.

Não estamos aqui por popularidade, nem para almejar reconhecimento. Estamos aqui fazendo o que gostamos, estamos falando do universo que gira em torno do Pearl Jam.

Já fazemos isso no nosso dia-dia, apenas estamos colocando no papel aquelas boas conversas regadas a vinho e pensamentos sobre a banda.

Como primeiro Post, quero compartilhar o meu entendimento sobre a música “I got Id”, do álbum “Merkin Ball” de 1995.

Para entender toda a complexidade dessa música temos que voltar no tempo, exatamente voltar a 1969. Eddie Vedder (autor da letra) disse em 2006 que a letra de “I got Id” foi inspirada em outra canção, chamada “Cinnamon girl” de Neil Young, exatamente de 1969.

Comparando as duas, não existe muita conexão. Mas a temática é exatamente a mesma, de um relacionamento à distância.

Enfim, vou tentar. Boa sorte para mim e lembrem se, interpretação de letras e músicas sempre dependem do estado de espírito de cada pessoa.

A música começa com uma dedilhada melancólica, geralmente feita pelo Eddie. Esta introdução nos convida para uma “viagem” literalmente nesse som.

“My lips are shakin’, my nails are bit off

Been a month since I’ve heard myself talk

All the advantage this life’s got on me

Picture a cup in the middle of the sea”

O autor descreve seus sentimentos momentâneos: Ansiedade, nervosismo, e principalmente saudades de alguém, tudo isso entrelaçado com as dedilhadas melancólicas, num tom de tristeza, que nos faz pensar que possa ser algo não correspondido.

Ao mesmo tempo ele se mostra descontente. Afinal, parece haver algo maior do que as saudades nessa história.

“And I fight back in my mind…

Never let’s me be right, oh…

I got memories, I got shit

So much it don’t show…”

Antes de iniciar esta estrofe, a banda entra para dar corpo e intensidade às letras que estão por vir. Letras essas, que fazem jus a intensidade aplicada pela banda. Esta parte é quase gritada pelo Eddie.

O autor revela nessa estrofe que os sentimentos em relação à pessoa que ele sente saudade, são maiores do que simplesmente a saudade. Ele briga com sua mente, ele parece não querer sentir o que está sentindo, não fazendo isso em tom de arrependimento, mas revelando que está confuso e não consegue seguir sua vida por este motivo. As duas últimas estrofes revelam a temática central de “I got Id”, o autor deixa claro que os sentimentos em relação à pessoa referida na canção, é amor. Ele tem apenas memórias, ele não tem merda nenhuma. Ele apenas se apega na intensidade que houve com este amor, e faz das memórias seu refúgio para não enlouquecer.

“I walked the line

When you held me in that night

I walked the line

When you held my hand that night…”

Para conectar as duas estrofes Eddie usa uma “Ponte Vocal” com as palavras “Don’t show & I” (nas apresentações ao vivo). Fazendo assim a intensidade da segunda parte ser mantida na terceira, com a banda segurando o tom um pouco mais baixo agora, já que o Eddie retornou a melodia inicial esquecendo por alguns momentos os gritos.

Nessa terceira estrofe o autor conta que na noite do último encontro (ou do primeiro…), as coisas fugiram do seu controle. Talvez ele tenha passado a linha em relação a seus sentimentos, esquecendo por um instante o momento e lembrando a essência da relação, a distância. Relacionamentos a distancia tem disso, excesso de sentimentos em curto espaço de tempo. O protagonista fora acalmado por sua amada, e nesse gesto ela conquistou seu coração.

Depois da última estrofe, a banda aumenta em meio tom a intensidade sonora, e carrega a música até a quarta estrofe quando as dedilhadas iniciais são retomadas, entregando outro momento melancólico ao autor.

“An empty shell seems so easy to crack

Got all these questions, don’t know who I could even ask

So I’ll just lie alone and wait for the dream

Where I’m not ugly and you’re lookin’ at me”

O autor revela toda sua fragilidade com essa relação de amor nesta quarta estrofe. Ele se sente sensível, e faz uma metáfora com uma xícara vazia.

Logo após vem uma das partes mais interpretativas de “I got Id” (“I got all these questions I don’t know Who fuck I could ask” ao vivo), o autor claramente revela que tem dúvidas e não sabe a quem perguntar. Mas que duvidas são essas? Podem ser várias, ou uma em especial. Pode ter dúvidas quanto aos sentimentos do seu amor, pode ter dúvidas quanto a quem ela é, pode ter dúvidas quanto ao tipo de relacionamento que eles estão tendo, pode ter todas estas dúvidas ao mesmo tempo. Cansado de se perguntar, ele espera pela noite e a melhor hora do seu dia de tortura e briga com as memórias, a hora em que ele fecha os olhos e imagina no seu íntimo um mundo com sua amada, desejando que ao cair no sono, tenha sonhos com ela.

“And I’ll stay in a bed

Water blue, I’ve seen it..

If just once, I could feel loved

Oh, stare back at me, yeah…”

Aqui a intensidade da música aumenta novamente, Eddie aos gritos entrega que está sem animo para nada, talvez em seus sonhos ou em suas memórias ele se lembre do pior dos momentos, o que ela virou as costas para ele e não o olhou. O autor deixa parecer que ele a ama, mas não é correspondido, e este parece ter sido o capítulo final dessa relação onde alguém se entregou de corpo e alma sem ter o mínimo de volta. Talvez esse encontro final tenha sido na praia (Water blue I’ve seen it), por isso a lembrança nesta parte da cor do mar.

Novamente entre a quinta e sexta estrofes Eddie Vedder faz outra ponte vocal com as palavras “Yeah & I”, para segurar a intensidade das estrofes e trazer a maior parte de intensidade que está por vir, quando as três guitarras irão finalizar a música em uma miscelânea de sentimentos!

“But I walked the line

When you held me in that night

Oh, I walked the line

When you held my hand that night

Oh, I walked the line

When you held me close at night

I paid the price, never held you in real life…”

Aqui tudo se esclarece (ou não), o autor volta a relembrar a noite importante, mas dessa vez ele entende que aquilo que era um desejo improvável, não passou de um sonho no qual ele viveu sozinho. Coisas aconteceram nessa noite, e ele se apaixonou desesperadamente. Mas a última estrofe da música revela o melancólico final, no qual ele parece se arrepender de toda a entrega nesse amor.

Agora a parte mais intensa inicia após a última estrofe as guitarras parecem ser atacadas a cada acorde (ao melhor estilo Neil Young), e a bateria ganha notoriedade nessa parte também. Parece que quem as toca, está com raiva, raiva esta que talvez o protagonista tenha em certos momentos ao lembrar esse amor não correspondido. As guitarras e a bateria feroz vão levando a música a seu final, nas versões ao vivo Eddie floreia sua voz junto delas, tornando tudo inexplicavelmente intenso, para no fim tudo se calar e apenas a dedilhada inicial e melancólica ser ouvida… Mas desta vez diferente, a raiva o faz praticamente “estrangular” as últimas notas, até seu final, um grande estouro na bateria.

2) – Análise: Hold On –

Hoje vou tentar falar um pouco de uma música que eu simplesmente amo do nosso Pearl Jam, é “Hold On” do nosso apaixonante Lost Dogs.
Não se sabe ao certo quando ela foi criada, há registros que datam na época pré Ten, e registros dela para o V.S, a verdade é que ela era para ser da época mais intensa da banda, mesmo que se destoe dos Riffs fortes da época, com certeza se fosse para um destes dois discos, também se tornaria um hit para o grande público, mas nossos amados músicos do Pearl sabem o que fazem, e deixaram-na como cachorro perdido mesmo, tornando uma música das mais lindas de todos os “B sizes” da banda.

Não consegui apurar uma data exata da primeira vez em que tocaram Hold On ao vivo, mas a banda sempre fazia uma intro no intervalo das músicas, de fato existe um registro de 1994, onde aí sim rolou meia música, interrompida por Jeremy na sequencia. Enfim, novamente tentaremos!

A música começa com a guitarra base do Stone quase riffando as notas, logo após este  início, a bateria de Matt e o baixo do Jeff entram para dar corpo a Hold On.

“…I was drawn…

Riding atop a black horse

Whatever prize there was,…

I could only observe…

O autor começa descrevendo sua situação e seus sentimentos, fazendo isso com muitas metáforas (extremamente presentes em toda a canção), ele deixa claro que está enfrentando uma situação difícil, e o porquê logo iremos descobrir…

Where the trouble starts.

Where does it end?

How can I be cured?

How, before it ends?

Na primeira estrofe a banda segue o corpo da introdução, nessa segunda parte eles mudam as notas, e você consegue notar a guitarra do Mike flutuando sobre a melodia. Eddie canta com maior potência (principalmente as letras de perguntas), parecendo indignado com aquilo, entrando na alma do autor (nesse caso, dele mesmo rsrs), e sentindo aquilo.

Nosso protagonista ainda afetado como na primeira estrofe, começa a se fazer perguntas, como se as respostas estivessem exatamente dentro dele, como se ele fosse íntimo delas. E ele as faz em tom de arrependimento, arrependimento esse que fica escancarado agora no refrão.

I know… life would be different if I… held on. Held on.

I know… I could be something if I… held on.

O grande clímax da música começa nesse refrão perfeitamente lindo em todos os sentidos, vocal, letra e banda em extrema confidência, em harmonia e química. Eddie na segunda estrofe toda puxou o volume da banda, quase gritando a letra. Isso fez com que a banda toda chegasse aqui, no refrão, mais alta do que no início. Mas o diferencial desse refrão está em Mike Mc’cready. Ele e Eddie parecem um só (Lembrando Jimmy Page e Robert Plant), a cada nota do Mike, Ed exerce um perfeito vocal em harmonia. É lindo para os ouvidos.

No refrão o personagem revela todas as suas frustrações, seus sentimentos em relação a aquilo que o faz estar tendo uma situação difícil hoje. Ele possui arrependimentos, ele não se perdoa por ter errado. Ele apenas queria ter resistido… Ainda não sabemos arrependimentos sobre “o que” exatamente, e nem sobre “quem”. Sobre “quem” vamos descobrir na sequencia, mas sobre o “que”, ah isso vamos ter que usar nossas imaginações, e se preciso aplicar em nossas vidas… Podem ser muitas coisas, por esse motivo deixo esta parte da interpretação em aberto, cada um crie a sua, para uma situação de suas vidas!

Gave her life away,…

Put it in my pocket when it should’ve been framed

Oh, it lost i’ts shine

Gotta get this outta my head,…

Entre o refrão e esta terceira estrofe, a bateria faz uma pequena conexão, levando a música para a melodia inicial, onde todos parecem entregar a música para o Eddie.

Aqui nosso autor revela parcialmente seus arrependimentos. Existe uma razão, e é uma mulher. Ele parece ter cometido um grande erro, e não consegue se perdoar em relação a isso. No fim da estrofe ele parece gritar “Gotta get this outta my head,…”

Out of my bed!

How could it end,…

End like this?

How could it end?

A banda novamente sobe o ritmo, e Eddie novamente parece gritar ao microfone. Tornando tudo bastante intenso. Na última estrofe, a banda e o Ed diminuem o ritmo, Ed apenas canta a melodia agora, sem os vocais agudos. Preparando novamente para o lindo refrão.

Como uma extensão da terceira estrofe, o protagonista segue sua sina de arrependimentos, algo forte na sua vida terminou, e ele não se perdoa por ter sido a causa deste fim. Minha interpretação sobre “Out of my bed!”, seria basicamente sobre ele se lembrar dessa mulher quando deita em sua cama, o que me leva a crer agora com toda certeza que era um amor do protagonista. Ele se deita, lembra-se dela mesmo não querendo, e lembra que tudo acabou, e o pior… Por algo que ele fez.

I know… life would be different had I… held on. Held on.

I know… I could be something had I… held on. Held on.

I know… I could be something if I… held on! Held on.

I know… life would be different if I… held on! Held on!

Voltamos ao refrão, e ele funciona aqui da mesma maneira do que a primeira vez, apenas com uma diferença, é quatro vezes agora. Nas apresentações ao vivo, a ordem da letra sempre muda, com um detalhe, Eddie sempre grita uma ou duas delas(geralmente as duas últimas), a banda segue um ritmo mais alto agora preparando para o final.

Held on. Held on. If I…

Held on. Held on. If I…

Held on. Held on. If I…

Held on. Held on…”

Esta parte final deixa explícita a temática de Hold On. “Se eu…” é repetido várias vezes, o protagonista em extremo arrependimento tenta pensar como seria se tivesse agido diferente, ou se simplesmente tivesse resistido… As duas guitarras no fim dobram a base, deixando um território excelente para o Ed florear sobre a melodia até o fim da música, que termina exatamente com o Eddie cantando  “Held on…” .

3) – Pearl Jam e Neil Young

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Pearl Jam e Neil Young se tornaram parceiros não só musicalmente como ideologicamente. A prova viva disso é o Bridge School Benefit, realizado anualmente pelo Neil, e que sempre conta com a participação ou do Pearl Jam como um todo, ou de ao menos um representante, seja o Ed, ou o Mike, etc..

Bridge School Benefit é um concerto beneficente anual, com duas datas, realizado em Mountain View (Califórnia) e organizado por Neil Young para angariar fundos para um colégio que cuida de crianças com paralisia cerebral (dois filhos de Neil Young têm paralisia cerebral). O Pearl Jam chegou a participar em vários anos com shows acústicos.
Por serem “veteranos” do Bridge School Benefit, o Pearl Jam acabou acompanhando o crescimento e desenvolvimento de alguns dos garotos do colégio. Mas uma garota, chamada Maricor, recebeu destaque especial, em 1999 e em 2001.

Em 99, Eddie Vedder havia dedicado “Last Kiss” para a menina, atendendo a um pedido dela. Já em 2001, Ed voltou a se referir a ela, desta vez para mencionar que ela, agora uma mulher, estava cursando o 2º ano da faculdade de jornalismo na Universidade de Berkeley, na Califórnia.

 
Na primeira noite, como em 99, ele dedicou “Last Kiss” a ela e na segunda noite, ele falou o quanto a faculdade deveria ser algo que pode intimidar e perguntou para a banda qual deles já havia frequentado algum curso superior (só o Jeff). Ele terminou dedicando “Soldier of Love” para ela.

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 Outra curiosidade é O disco Mirrorball (1995), uma parceria entre Neil Young e o Pearl Jam, foi realizado em apenas 4 datas (26 e 27 de janeiro e 7 e 10 de fevereiro de 1995), no estúdio Bad Animal, em Seattle. Participaram do trabalho, todos os membros do Pearl Jam, que tinha como baterista Jack Irons. O vocalista Eddie Vedder ficou responsável por alguns backing vocals e letra adicional na música “Peace and Love”. Na produção e na engenharia de som, velhos conhecidos do Pearl Jam: Brendan O’ Brien e Brett Eliason.

 Esse disco nascera de uma excursão realizada pelo Neil Young com os membros do Pearl Jam (exceto Eddie Vedder) pela Europa. Mais tarde Neil conheceria Ed, e se tornariam grandes amigos também, chegando a ser considerado por Vedder como seu grande mentor na música.

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3 thoughts on “Textos dos Fãs”

  1. Parabéns, bacana as interpretações.
    Só acho que você pode acrescentar a tradução da frase para cada verso, para quem não conhece fica mais fácil o entendimento.
    Abraço

  2. Pingback: Grievance |
  3. Que eu tenho a dizer.. e simples como eu e a banda pearl jam..
    Cada integrante da banda teve a sua adolescência e juventude na mas plena vida saudável com sonhos esperança e projeto por uma vida melhor assim como eu e uma legiao de fãs que acompanha a banda desde 1992. Hoje neste exato momentos estamos maduros e cientes. Que eles estao maduros experientes e realizados assim como a maioria dos seus fãs . Fico feliz e orgulhosa de fazer parte desta historia. Tem fãs com mas informações e mas antenados do que eu mas com o caminhar da mh vida simplória te digo uma coisa eddie vedder e sua banda pearl jam fez e faz parte da trilha sonora da mh vida. OBRIGADA pela oportunidade de estar aqui expressando meu respeito e amor pro esta banda maravilhosa PEARL JAM. : )

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